Pilotos brasileiros trocam Indy pela IRL
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de outubro de 2002
Agência Estado 
São Paulo - Os Estados Unidos continuam sendo um bom caminho para os pilotos brasileiros. O foco, porém, mudou. Em vez da Fórmula Indy, o campeonato organizado pela Cart (Championship Auto Racing Teams), o interesse agora é pela Indy Racing League (IRL), categoria com apenas sete anos de vida e em franco crescimento.
A mudança de foco já pôde ser notada nesta temporada. A IRL teve a participação regular de cinco brasileiros: Felipe Giaffone, Airton Daré, Raul Boesel, além de Gil de Ferran e Hélio Castro Neves, estes últimos ''pinçados'' da Indy após o campeonato de 2001. E Vitor Meira disputou as quatro últimas provas do campeonato. Na contramão, a Indy, que já chegou a ter 11 brasileiros num mesmo grid, teve em 2002 Cristiano da Matta (o campeão), Bruno Junqueira, Tony Kanaan e Christian Fittipaldi.
E a ''preferência brasileira'' pela IRL vai aumentar em 2003. Kanaan entra na categoria, correndo pela Andretti/Green aliás, uma das equipes que está trocando de lado. Meira e Boesel ainda não têm contrato fechado, mas contam com boas chances de continuarem.
Já a Indy perdeu Kanaan, Da Matta (para a F-1) e Christian (para a Nascar). Hoje, Junqueira, que trocará a Chip Ganassi (a equipe também foi para a IRL) pela Newman-Haas, é o único brasileiro garantido na categoria.
O que motiva essa nova ordem? A resposta é simples. A categoria criada por Tony George em 1996 está crescendo em termos de organização e até tecnológicos, enquanto a gerenciada pela Cart perdeu o rumo, que tenta retomar. Em 2003, por exemplo, a IRL terá dois novos fornecedores de motores, os japoneses da Toyota e da Honda (''roubados'' da Indy, por sinal); a Indy terá de viver com apenas um fornecedor, a Ford.
Questão de preço Outro fator que está fazendo a IRL dar uma volta na Indy é o preço. Hoje, com algo em torno de US$ 3 milhões por carro corre-se toda a temporada. Equipes como a Panther (do atual bicampeão, o norte-americano Sam Hornish Jr.) e a Penske gastam um pouco mais. Mesmo assim, bem menos do que na Indy, onde nas últimas temporadas por menos de US$ 10 milhões não se fazia nada Chris Pook, novo presidente da CART, encabeça uma cruzada para reduzir os custos, mas isso leva algum tempo.
Para os pilotos, a IRL também é um bom negócio. O salário anual médio na categoria é de US$ 1 milhão. E os prêmios pagos a cada GP são generosos. Média de US$ 250 mil. Mas Hélio Castro Neves, por exemplo, já faturou US$ 2.285.665 brutos este ano. Felipe Giaffone ganhou US$ 1.183.165.
Os valores dos prêmios, conforme o contrato, ficam 60% com a equipe e 40% com o piloto (a ordem é invertida se o corredor é de primeira linha). ''Ao longo de uma temporada, dá para se obter bons ganhos. Esse é mais um fator que torna a IRL interessante para os pilotos'', diz o empresário Willy Hermann, cuja empresa detém os direitos de divulgação e comercialização da IRL no Brasil.


