Pilotos brasileiros sonham com um bom resultado em Interlagos
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segunda-feira, 05 de abril de 1999
Agência Estado 
O piloto Rubens Barrichello, da equipe Stewart, afirmou ontem, em São Paulo, que se o seu carro concluir as 72 voltas do GP do Brasil, domingo, suas chances não são apenas de marcar pontos como na Austrália, onde foi quinto, mas de chegar ao pódio. Os dois outros brasileiros que participam da prova - Pedro Paulo Diniz, da Sauber, e Ricardo Zonta, da British American Racing (BAR) - também estão otimistas em relação à prova. Desde que estreei na Fórmula 1, em 1995, esta é vez que tenho maiores possibilidades de uma boa classificação em Interlagos, disse Diniz.
Os três dias de testes em Barcelona, depois da etapa de Melbourne, não foram suficientes para deixar Barrichello satisfeito para a corrida de São Paulo. Gostaria de ter treinado mais, falou ontem na entrevista coletiva promovida pela Bridgestone do Brasil. Não adiantava testar o chassi e continuarmos tendo problemas no motor.
A decisão da Stewart foi tomada em comum acordo com o pessoal da Ford, fornecedora dos motores. Eles modificaram o nosso V-10, buscando maior resistência para que os problemas da largada na Austrália não se repitam, contou Barrichello, para explicar o curto período de ensaios.
A confiabilidade no equipamento é o que mais preocupa os três brasileiros. Deveremos correr sob temperaturas mais elevadas que as verificadas nos testes e na Austrália, lembrou Diniz, reforçando seu temor com a resistência da Sauber, que teve problemas de transmissão em Melbourne. Diniz e Barrichello chegaram a comentar que pensaram em alugar o carro promocional de dois lugares desenvolvido pela McLaren para competir em Interlagos. A única dúvida é saber quem iria na frente, pilotando, brincou Barrichello. Mas a McLaren, como a Stewart, a Sauber e a BAR, andou quebrando nos últimos treinos.
Tive sorte, admitiu Diniz, ao comentar o acidente de bicicleta sofrido domingo, em sua fazenda. Acho que Deus estava cuidando de mim e eu tive apenas uma lesão cutânea. Por muito pouco a coroa da bicicleta não atingiu os ligamentos do joelho, o que o obrigaria a uma cirurgia e cerca de dois meses de recuperação. A contusão não deverá atrapalhar em nada o seu desempenho no GP do Brasil, segundo o piloto.
A equipe BAR se apresentou para a etapa de abertura do Mundial, na Austrália, conhecendo muito pouco o seu próprio carro. Depois de Melbourne nosso objetivo foi testar as reações do BAR 01 mediante algumas mudanças no seu acerto, comentou Ricardo Zonta. Hoje sabemos bem mais como ele reage e como intervir para melhorar uma derrapagem de frente ou traseira.
Como Barrichello e Diniz, o piloto de Curitiba teme ficar muito tempo parado nos boxes por causa de problemas com o equipamento. Nos últimos testes as dificuldades de Melbourne parecem ter sido solucionadas, mas apareceram outras.
De acordo com Zonta, essas panes frequentes fazem parte de uma equipe que está pela primeira vez competindo na F-1. Torço para concluir a corrida, porque tenho certeza de que em termos de velocidade não estamos muito atrás. Para Zonta, o GP do Brasil é o mais importante para ele. Conquistar um ponto aqui seria bem mais gostoso do que em qualquer outro lugar.
Correr em São Paulo representa uma vantagem para Zonta. Eu ao menos conheço o traçado de Interlagos, o que é uma ajuda, sem dúvida. Os três preferiram esperar até hoje, quando irão para o autódromo, para falar das mudanças no circuito, em especial as novas entradas e saída de box.


