Rio, 11 (AE) - Os pilotos brasileiros que vão disputar o GP Rio de Fórmula Indy, no sábado, exaltaram hoje as peculariedades do circuito oval Émerson Fittipaldi e classificaram a corrida carioca como a etapa mais difícil do calendário da categoria. "Ao contrário das outras pistas, as retas do autódromo de Jacarepaguá são muito longas, o que dá a oportunidade de "pegar vácuo" e fazer ultrapassagens, observou Hélio Castro Neves, da Hogan. "Com a perspectiva de que os pilotos façam até três paradas nos boxes, o GP será, mais do que uma corrida, um verdadeiro jogo de xadrez."
Para Maurício Gugelmin, da PacWest, um fator que pode afetar os pneus no GP é a quase não-utilização do oval durante o ano. "É preciso emborrachar o circuito", disse, referindo-se à necessidade de as pistas terem resíduos de borracha, o que aumenta a aderência dos pneus. "Sem isso, o carro não freia, não agarra, não vira bons tempos." Ele acrescentou que um atributo para a vitória no GP Rio é a paciência. "O oval é atípico, também, por causa das mudanças bruscas que devem ser feitas na entrada das curvas três e um." Segundo Gugelmin, a redução de velocidade nesses locais obriga o piloto a trocar a sexta pela terceira marcha em frações de segundo. "Aqui, é preciso ter atenção redobrada nas ultrapassagens, porque, depois delas, a gente tem de retomar com força o controle do carro."
Para o novato Cristiano da Matta, de 25 anos, da equipe Arciero Wells, vai ter sucesso no GP quem souber acelerar, "ser rápido", dosando o combustível e os pneus. "A corrida é muito longa; quando a gente pensa que está acabando, não está nem na metade." Pelas características do circuito, Cristiano chegou a imaginar um desfecho para a prova. "Se, na última volta, dois pilotos estiverem disputando a liderança, é melhor para o segundo colocado ficar no vácuo do outro para a ultrapassagem na reta final."
GP DE INTELIGÊNCIA - Luiz Garcia Júnior, da Payton-Coyne, outro calouro no oval do Rio, destacou a possibilidade de a liderança trocar de mãos várias vezes na prova por causa das longas retas. "Com muitas ultrapassagens, a corrida ganha em emoção." Ele observou, no entanto, que esse eventual excesso de mudanças na classificação são um desafio à inteligência. "Não vai ser uma corrida só de motor, com certeza." Amanhã, vários dos pilotos que disputarão o GP Rio seguirão num desfile de motocicletas do Hotel Copacabana Palace até o Autódromo Nélson Piquet. Eles estarão acompanhados de Émerson Fittipaldi. Em Jacarepaguá, disputarão duas rápidas provas. À tarde, Fittipaldi convidará o atacante Romário, do Flamengo, para o evento de sábado.

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