O ex-piloto de Fórmula 1, Pierluigi Martini, declarou ontem, no Tribunal de Ímola, na Itália, que só um carro com problemas corria riscos na famosa curva Tamburello do circuito de Ímola, em que morreu Ayrton Senna em 1º de maio de 94. Martini foi chamado pelo promotor de Bolonha, Maurizio Passarini, no julgamento para estabelecer quem foi o responsável pela morte de Senna, pois conhece muito bem a famosa curva.
No entanto, o ex-piloto se surpreendeu ante o Tribunal de Ímola com o fato de ter sido aberto um julgamento para estabelecer quem tem a culpa pelo acidente mortal de Senna no GP de San Marino. ‘‘Correr na F-1 é um risco. Eu não entendo por que se investiga tão exaustivamente a responsabilidade do acidente. Nós sabemos que corremos com carros que são produtivos e que devem ser forçados até o limite’’, declarou Martini.
Martini excluiu a possibilidade de a pista ser a causa do acidente mortal. ‘‘Antes da corrida de Ímola, Senna se queixou comigo, dizendo que seu carro era ‘nervoso’ e o cockpit, estreito. A curva Tamburello tinha que causar problemas em um carro com dificuldades’’, disse o ex-piloto.
A tese da acusação é que o acidente ocorreu, sobretudo, devido à ruptura da barra de direção da Renault-Williams, que foi mal-modificada antes da corrida.
Os representantes da Williams questionaram, por sua vez, as condições do circuito e pediram novos exames de perícia para verificar se as condições de segurança eram suficientemente boas.
Depois do depoimento de Martini, seis comissários do circuito, encarregados de vigiar a corrida, foram interrogados pelo promotor Passarini. A todos eles, o promotor perguntou se haviam notado objetos na pista antes do carro dirigido por Senna passar. Todos responderam negativamente.
O julgamento, que teve início no dia 20 de fevereiro, continuará nas próximas segunda e terça-feira com novos depoimentos, entre eles o do britânico Charles Whiting, delegado da Federação Internacional do Automóvel (FIA).

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