Piloto alemão queria a vitória
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domingo, 29 de agosto de 2004
Agência Estado 
Spa, Bélgica - Na corrida mais espetacular da temporada, ontem, Michael Schumacher não venceu, como já havia feito 12 vezes este ano. Foi apenas segundo no seu circuito favorito, Spa-Francorchams, na Bélgica. Mas conquistou seu sétimo título mundial. Sua reação de certa frustração deu a entender que a vitória seria mais importante que o campeonato. Kimi Raikkonen, da McLaren, ficou com a vitória, enquanto Rubens Barrichello deu um show, ao cruzar em último na segunda volta e chegar em terceiro. Cada conquista tem um significado, disse Schumacher.
Como não esboçava um sorriso sequer, respondeu ao ser questionado: Não estou triste, garanto, apenas pensativo. Não exultou em nenhum instante diante da imprensa, como se nada tivesse ocorrido. Por nada compreenda-se, por exemplo, estabelecer o recorde histórico de títulos seguidos, cinco. Juan Manuel Fangio ganhou o Mundial quatro vezes seguidas, de 1954 a 1957, cinco no total. Os números transformam o piloto alemão de 35 anos em um fenômeno, o primeiro em quase todos os parâmetros de performance.
Mais uma vez falou da sina do número 7. Vencer pela sétima vez o campeonato aqui em Spa, tem valor único para mim, assim como na corrida de número 700 da história da Ferrari é especial. Não escondeu desejar mais: Claro que eu preferia ter sido campeão com uma vitória. Não foi possível. Ganhou o melhor hoje.
A Ferrari não divulgou o lugar onde as cerca de 80 pessoas que se deslocam a cada GP iriam se reunir ontem à noite para comemorar o título. Na Hungria celebraram o sexto Mundial de Construtores seguido, o 14º da sua história. Informaram Schumacher que havia muita gente bebendo nas praças de Kerpen, sua cidade, a 120 quilômetros de Spa, para comemorar o resultado. Eu também vou beber. Nessas ocasiões, junto da equipe, Schumacher mistura tudo e em quantidade. O que mais aprecia é uma grapa italiana, espécie de aguardente de uva, de elevado teor alcoólico.
Embalo - Schumacher não tira o pé do acelerador. Quarta-feira treinará em Monza, visando a próxima etapa do Mundial, dia 12, no mesmo circuito, o GP da Itália. Não importa que não há mais o que desvendar em termos de conquistas na Fórmula 1. Não solicitar um descanso depois de todo o sucesso único deste ano é a maior prova de que só está na Fórmula 1 porque ama muito o que faz. É o seu grande prazer. Por isso, quando às vezes dá a entender que depois de 2006, quando se encerra seu contrato com a Ferrari, poderá continuar competindo, todos acreditam poder ser verdade.


