Quer ver o técnico do São Caetano, Jair Picerni, bravo? Diga, ou simplesmente insinue a ele, que seu time sente ''medo''. Trata-se de uma expressão banida do vocabulário do treinador. E quem se atrever a utilizá-la, pode ter uma certeza: vai ser repreendido.
Tudo começou quando o atacante Anaílson tentou explicar, após o final da partida em que o São Caetano empatou por 0 a 0 com o Bahia, na quarta-feira, as razões de sua equipe não ter conseguido apresentar o ''futebol-show'' que a caracterizou na primeira fase do Campeonato Brasileiro.
Referindo-se à forma de disputa, que prevê a decisão da vaga em apenas uma partida - a exceção é a final, definida no sistema de jogos de ida e volta -, Anaílson afirmou que o regulamento ''travou'' a equipe do São Caetano, sobretudo no primeiro tempo. ''A gente ficou com certo medo de levar um gol e ver todo o trabalho desde a primeira fase sendo desperdiçado'', disse o atacante.
Isso foi o suficiente para provocar a insatisfação do técnico. ''Não existe essa história de ter medo. Nós não temos medo de nada'', garantiu Picerni. Para ele, o fato de o São Caetano, reconhecido pela forma ofensiva de jogar, não ter marcado gol diante dos baianos se deveu à boa marcação do adversário. ''Criamos boas chances. Essa história de entrar com o freio-de-mão puxado é balela.''
Porém, entre o grupo o sentimento não é bem esse. Além de Anaílson, o atacante Magrão reconheceu que a forma de disputa prevista no regulamento pode causar receio nos jogadores durante a partida. ''Nós temos de saber jogar de acordo com o momento da partida''.

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