PGR é alertada sobre pedido de prisão de Teixeira
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terça-feira, 18 de julho de 2017
Jamil Chade<br>Agência Estado 

Genebra - Procuradores federais brasileiros e espanhóis começaram a trocar informações sobre as suspeitas de corrupção que pesam contra Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, pelo suposto desvio milionário da receita de jogos da Seleção. Informalmente e por meios confidenciais, a cúpula da PGR (Procuradoria Geral da República) já foi alertada pela Espanha de que a Justiça de Madri emitiu uma ordem internacional de prisão contra o ex-dirigente. A esperança dos espanhóis é de contar com a colaboração do Brasil no caso.
Por enquanto, a cooperação entre os dois países está ocorrendo de maneira informal. De acordo com pessoas próximas ao caso, investigadores brasileiros já fizeram os primeiros contatos com os espanhóis. Mas, os procuradores de ambos os lados estão estudando formas de tornar oficial o procedimento, a troca de dados e mesmo de uma ordem de busca.
Em Brasília, o interesse é o de saber se os dados colhidos pela Justiça na Espanha também poderiam ser usados em um inquérito no País contra o ex-cartola, inclusive por evasão. Mesmo detido no território nacional à pedido de Madri, Ricardo Teixeira jamais seria extraditado por conta das leis nacionais. Mas, poderia responder a um processo ou pelo menos ser questionado, com suas respostas sendo enviadas aos juízes na Espanha.
Conforme o jornal O Estado de S.Paulo revelou ainda em 2013, acordos secretos permitiram que a renda dos jogos da seleção fosse desviada para uma empresa em nome de Sandro Rosell, aliado de Ricardo Teixeira e ex-presidente do Barcelona. No mês passado, Rosell foi preso e a Justiça espanhola apontou que parte do dinheiro que ia para sua empresa, a Uptrend, terminava com o ex-presidente da CBF. Os investigadores concluem que "parte dos fundos não foi para a CBF, senão que, de uma forma fraudulenta, foram ao próprio Teixeira".
EDUARDO CUNHA
Com ordens de prisão emitidas na Espanha e nos Estados Unidos, o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira pode ter o mesmo destino do ex-presidente da Câmara de Deputados Eduardo Cunha. A PGR considera solicitar às Justiças estrangeiras que transfiram os casos para o Brasil, com o compromisso de que ele seja investigado e processado no País.
Foi desta forma que a PGR conseguiu convencer a Suíça a transferir centenas de páginas de provas sobre suspeitas relacionadas a Eduardo Cunha ao Brasil. Berna, entre 2014 e 2015, investigou o ex-político brasileiro e abriu um inquérito por corrupção passiva. Mas, mesmo se o condenasse, não conseguiria convencer as autoridades brasileiras a entregá-lo. Pelas leis nacionais, o Brasil não extradita seus cidadãos.
A Suíça, assim, entregou as provas sobre as contas secretas de Eduardo Cunha e os procuradores brasileiros conseguiram processar o deputado, inclusive por evasão. Agora, o mesmo cenário deve ocorrer com Teixeira, mas desta vez com a Espanha. Uma vez mais, a evasão pode ser a brecha utilizada.
Nesta semana, procuradores federais brasileiros já receberam informações extraoficiais de que a Justiça de Madri emitiu uma ordem internacional de prisão contra o brasileiro.


