PF vai apurar se Luxemburgo é 'gato'
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de setembro de 2000
Agência Estado Do Rio de Janeiro 
A Polícia Federal abriu ontem inquérito para apurar se a data de nascimento de Wanderley Luxemburgo está alterada em sua carteira de identidade e em seu passaporte. O inquérito foi aberto com base nos artigos 299 (falsidade ideológica) do Código Penal, em função de denúncia segundo a qual o técnico teria nascido em 1952 e não em 1955, como consta de seus documentos. Caso seja comprovada a falsificação, a pena prevista é de um a cinco anos de detenção, sem direito à fiança.
Na noite de domingo, antes de embarcar para Sydney, na Austrália, Luxemburgo foi ouvido pelo delegado federal Victor Hugo Poubel, no Aeroporto Internacional do Rio, Antônio Carlos Jobim, sobre a denúncia de adulteração. A data de nascimento de 10 de maio de 1952 aparecia no site do próprio técnico e no da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Luxemburgo sustentou que nasceu em 1955 e atribuiu as informações da internet a um engano de quem organizou as páginas.
A adulteração de idade é comum no futebol. Com ela, jogadores mais velhos conseguem jogar em categorias inferiores, destinadas a atletas mais jovens. Os jogadores com idade adulterada são conhecidos no meio pelo apelido de gatos. A Polícia Federal informou ainda que pretende tomar novo depoimento de Luxemburgo tão logo ele retorne das Olimpíadas. O advogado do técnico, Michel Assef, afirmou ontem que, no caso de ser comprovada alguma irregularidade, seu cliente não pode ser responsabilizado.
Se houve uma adulteração, ela ocorreu quando Luxemburgo era um menino, disse. Portanto, era inimputável. O técnico começou sua carreira na escolinha de futebol do Botafogo, para onde foi levado por um olheiro do clube, conhecido como Neca. Naquela época, ele alterou a idade de muita gente, afirmou. Assef informou ainda que pretende investigar pessoalmente qual é a verdadeira idade do técnico Luxemburgo 45 ou 48 anos. Vou levantar a certidão de nascimento dele para tirar essa história a limpo, garantiu. E se houver um erro, pedirei a correção.
Paraíso fiscal O delegado federal Antônio Rayol, da Divisão de Prevenção e Repressão a Crimes Fazendários, informou ontem que pretende investigar a ligação de Wanderley Luxemburgo com a empresa Balridge Propertils Limited, cuja sede fica em Nassau, capital das Bahamas, um notório paraíso fiscal. De acordo com o registro do 5º Ofício de Notas, o técnico intermediou a venda de um apartamento à empresa.
Rayol encaminhou ontem à Delegacia Fazendária da Polícia Civil e ao Ministério Público Estadual um pedido de levantamento de informações sobre a participação do técnico no episódio para, com base nos dados, decidir se abrirá ou não um inquérito. Segundo o 5º Ofício de Notas, o apartamento 601 do bloco 1 do prédio de número 1.500 da Avenida Prefeito Mendes de Moraes, em São Conrado, foi vendido da Planim Planejamento Imobiliário Ltda para a empresa das Bahamas com intermediação de Luxemburgo. Por enquanto, tudo não passa de especulação, afirmou Rayol.
Michel Assef garantiu que Luxemburgo não é proprietário nem representante de nenhuma empresa nas Bahamas. Segundo Assef, o que ocorreu foi uma transação meramente comercial.
Caso Renata A estudante de direito Renata Carla Moura Alves, ex-secretária de Wanderley Luxemburgo, afirmou à Delegacia de Prevenção e Repressão a Crimes Fazendários da Polícia Federal (PF) que contraiu empréstimos bancários a mando do técnico e, por conta dessas transações, seu nome foi parar no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). As informações fazem parte do inquérito que apurou as denúncias de sonegação fiscal contra Luxemburgo e Renata e foi enviado ao Ministério Público Federal (MPF).
As declarações de Renata sobre os empréstimos foram fornecidas à PF em depoimento prestado no dia 8 de abril de 1997 e são referentes a créditos conseguidos no Banco Real (em 1993) e no Bradesco (em 1995). No depoimento, a ex-secretária contou que os empréstimos foram feitos a mando de Luxemburgo, para que ela tivesse capital suficiente para adquirir, em leilões, os bens que ele determinava.
O técnico contou que emprestou dinheiro a Renata em algumas ocasiões para que ela iniciasse uma nova vida, já que vinha tendo problemas com a empresa de estética que mantinha na Ilha do Governador. Ele acusou a ex-secretária de ter-se aproveitado dos empréstimos para trabalhar por conta própria, arrematando bens que não lhes foram pedidos. Luxemburgo disse ainda que chegou a pagar empréstimos contraídos por Renata, no intuito de ajudá-la.


