PF investiga desvio em obra olímpica
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terça-feira, 07 de junho de 2016
Luciana Nunes Leal e Marcio Dolzan<br>Agência Estado 
Rio - A suspeita de fraude estimada em R$ 85 milhões na prestação de serviços das obras do Complexo Esportivo de Deodoro, zona oeste do Rio, levou a Polícia Federal (PF) a cumprir ontem cinco mandados de busca e apreensão na sede do consórcio, formado pelas construtoras Queiroz Galvão e OAS, em empresas subcontratadas e em casas de supostos envolvidos no esquema de desvio de dinheiro.
O complexo é a segunda área mais importante de competições dos Jogos Olímpicos de 2016. Serão disputadas ali 11 modalidades olímpicas e quatro paralímpicas. Chamada Bota-Fora, a operação da PF teve participação do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle (antiga Controladoria Geral da União), Receita Federal e Ministério Público Federal (MPF).
O alvo da investigação são os serviços de transporte e descarte do entulho da obra. Segundo o Ministério da Transparência, em meados do ano passado a CGU descobriu indícios de falsificação de documentos e superfaturamento. Foram encontrados registros falsos dos volumes de resíduos sólidos retirados do canteiro de obras e levados para um aterro sanitário em Duque de Caxias, cidade na Baixada Fluminense.
Os investigadores descobriram que documentos chamados Manifesto de Resíduo, que registram cada transferência do entulho, foram "montados" com volumes fictícios de resíduos transportados e assinaturas falsificadas.
"A CGU constatou que os volumes de resíduo foram superfaturados pelo Consórcio Complexo Deodoro, formado pelas empresas Queiroz Galvão e OAS, mediante falsificação dos documentos comprobatórios e da contratação de empresa que atuaria como 'laranja' para simular o transporte e a disposição do resíduo. O consórcio não pagou as despesas de disposição de resíduos da construção civil", informou o ministério.
A prestação de serviço para transporte e descarte do entulho tinha valor inicial previsto de R$ 80 milhões e sofreu aditivos até chegar a R$ 128,5 milhões, acréscimo de R$ 48,5 milhões. O Ministério da Transparência calcula que os desvios possam chegar a R$ 85 milhões.
Em nota, o consórcio Complexo Deodoro atribuiu o aumento no valor inicial do contrato ao volume de entulho transportado maior do que o previsto. O consórcio informou que "a alteração não impactou o valor total da obra estipulado em contrato". Embora o Estado tenha cobrado uma explicação, o consórcio não divulgou como o valor manteve-se o mesmo, apesar do aumento das quantias contratuais.


