Petrobrás monta plano de carreira para pilotos
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Por Lívio Oricchio 
São Paulo, 04 (AE) - A briga maior de um piloto nem é dentro da pista, mas fora dela, tentando conseguir patrocinadores, costuma dizer Nelson Piquet, três vezes campeão do mundo. O plano de carreira apresentado hoje pela Petrobrás, em São Paulo, tem como objetivo principal permitir que esses profissionais, os melhores deles, ascendam do kart à Fórmula 1. Promovendo copas e campeonatos, ou mesmo patrocinando equipes, a Petrobrás tem agora meios de acompanhar toda a trajetória de um piloto de competição.
Quem gosta de automobilismo deve torcer para que tudo funcione conforme a Comissão de Esportes-Motor da Petrobras planejou. A empresa investirá no kart, ao promover uma Copa com etapas em São Paulo, Rio de Janeiro e em outro centro, na criação de um campeonato de monopostos, a Fórmula Petrobrás, para receber ex-kartistas, e também na Fórmula Chevrolet, patrocinando duas equipes.
A estatal bancará ainda dois times na F-3 Sul-Americana e uma equipe no Campeonato Internacional de F-3000. No topo dessa cadeia acha-se o contrato de fornecimento de combustível com a escuderia Williams de F-1. "Nesse projeto escalamos todos os degraus da escada", disse Luis Fernando Vargas, superintendente de comunicação institucional da Petrobrás, que ainda investirá no Sul-Americano de Superturismo, na Fórmula Truck (corrida de caminhões), nas Mil Milhas e em uma competição para protótipos desenvolvidos por universitários.
Na prática, o que a empresa divulgou hoje garante ao campeão da Copa Kart a passagem automática para a Fórmula Petrobras, que utiliza os antigos carros da Fórmula Ford, e aos três primeiros colocados desta a passagem para um dos seus dois times da Fórmula Chevrolet. O mesmo critério vale para a etapa seguinte do que seria a sequência natural da carreira de piloto. Os três primeiros no campeonato da Fórmula Chevrolet, independentemente de estarem ou não em uma das suas escuderias, ascendem à Fórmula 3 Sul-americana.
Ao menos pelo exposto hoje, não haverá subjetivismos na escolha dos que terão a chance de seguir adiante no automobilismo. Numa empresa estatal as pressões políticas para favorecer este ou aquele piloto não são fáceis de serem administradas. De acordo com o plano de carreira da Petrobras, se cumprido, o que vale é o resultado do piloto, algo semelhante ao que faz a Elf, empresa petrolífera francesa, há muitos anos. "Nós cumpriremos o planejado", garante Claudio Thompson, coordenador da Comissão Esportes-Motor.
O Brasil, com toda certeza, está ganhando um meio bastante eficiente de revelar novos campeões nas pistas. A Petrobrás não divulgou o valor total do investimento, mas Luis Fernando Nery, coordenador de patrocínios da empresa, comentou que custa menos de uma cota de F-1 da rede Globo, estimada em cerca de R$ 15 milhões por ano.


