Petraglia trabalha a partir de sonhos
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de abril de 1999
Fernando Tupan 
O presidente do Atlético, Mário Celso Petraglia não se considera um visionário ou um louco. Ele se coloca como um homem que sonha e materializa este sonho. A receita segue um processo bastante simples: primeiro sonha; em seguida planeja como transformar isso em algo concreto; põe no papel; executa; e aprecia o delírio se tornando realidade.
Petraglia tem uma visão bastante crítica do segmento esportivo, e não tem medo de apontar que falta credibilidade para muitas pessoas que gravitam no setor. A falta de visão seria um dos principais problemas. Veja só, quando assumi a presidência em 95, fiz um planejamento englobando três fases: curto, médio e longo prazo. O Atlético naquela época atravessava uma fase muito difícil.
A primeira meta da proposta foi completamente alcançada. O rubro-negro saiu do purgatório da Segunda Divisão para a Primeira; a torcida voltou a se orgulhar do Atlético e o mais importante de tudo, recuperou a credibilidade e a honra atleticana. A fase seguinte está ainda em andamento. Estamos criando uma infra-estrutura para que o clube seja um dos maiores do Brasil, buscando alternativas de faturamento e preparando a transformação para um clube empresa, explica o presidente dos 75 anos.
Quando a Arena e o Centro de Treinamentos do Umbará estiverem concluídos, o segundo ciclo vai estar fechado. O terceiro inicia-se com a transformação do Atlético em clube empresa, com uma parceria empresarial, ou colocando ações na Bolsa de Valores, prevê Petraglia.
Para a conclusão do CT o dirigente pretende entregar quatro campos, modernizar a sala de fisiologia, expandir os alojamentos, construir um ginásio coberto e um campo sintético. Com relação à Baixada, a intenção é inaugurá-la na segunda quinzena de maio, com capacidade para 32 mil pessoas.
Com a globalização, Petraglia saiu a procura de parceiros internacionais. A seleção chinesa Sub-20 esteve estagiando no CT. Holandeses vieram aprender os segredos do marketing esportivo no rubro-negro. Os meios de comunicação derrubaram as fronteiras. Os atletas de hoje entendem melhor as relações de oferta e procura. A globalização atingiu o esporte e não podemos fechar os olhos para isso, avaliou.
A política atleticana está adequada aos novos tempos. À cada nova renovação do elenco, novos valores surgem. A safra de 96 e 98 se foi, e temos a 99 pronta. Para realizar nossos objetivos, jogadores como Oséas, Paulo Rink, Wilson, Renato, Paulo Miranda, Alex, Warley, Tuta e outros, foram vendidos. Temos agora uma nova safra pronta, revelou.
O dirigente procura tranquilizar a torcida atleticana. O processo de renovação não vai influenciar na performance da equipe no Campeonato Brasileiro do segundo semestre. Cada competição é uma história. Esse ano vamos jogar na Baixada e não no Pinheirão, Vila Capanema ou Alto da Glória. Estaremos no nosso estádio, com um elenco mais jovem e pronto para vencer.
Quando desmanchamos o velho ginásio e contruímos arquibancadas móveis, e ficavam 10 mil pessoas para o lado de fora, pensei que estava na hora de modernizar o Joaquim Américo. Os estádios do Brasil são elefantes brancos doentes, sem conforto ou condições mínimas de infra-estrutura para receber o público, contou o empresário que mudou a estrutura atleticana em menos de 4 anos.
O sonho do torcedor e presidente, Petraglia, ainda não terminou. Ele diz que os próximos 75 anos do Atlético servirão para fortalecer mais as bases, e transformar o clube. O rubro-negro tem um só objetivo. Queremos estar entre os melhores, sempre, concluiu.


