Se depender dos três principais integrantes da diretoria do Atlético Paranaense, o comando do rubro-negro para o ano que vem estará em outras mãos. A nove dias da eleição, marcada para o dia 15 de dezembro pelo Conselho Deliberativo, Mário Celso Petraglia, Ênio Fornéa e Ademir Adur, apesar da insistência dos conselheiros para que continuem, dizem que já se ‘‘sacrificaram’’ demais pelo clube e que está na hora de sangue novo assumir o comando.
Mário César Petraglia assumiu a presidência interinamente em julho de 95, no lugar de Hussein Zraik, ficou até 97 e foi eleito para continuar no cargo até o final deste ano.
Nesse período, apesar do episódio do escândalo da arbitragem, em que estaria envolvido - conversas gravadas ligaram ele e o presidente do Corinthians, Alberto Dualibi, com o presidente da extinta Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol (Conaf), Yves Mendes -, Mario Celso Petraglia esteve à frente da construção de um moderno Centro de Treinamentos e da idealização daquele que será o mais moderno estádio de futebol do Brasil: a nova Baixada, que deverá ser inaugurada em março.
Diante de fatos positivos na administração, que levou o time à primeira divisão do Brasileiro e conquistou o Parananese em 98, os conselheiros não abrem mão de ter Petraglia como presidente, junto com Fornéa e Adur.
Mas nenhum dos três quer continuar. A Folha não conseguiu falar na sexta-feira com Petraglia, que estava viajando, mas os própios membros da diretoria afirmam que ele não quer ser reeleito.
‘‘Tenho falado com Petraglia e ele parece irredutível da posição de deixar a presidência porque sente-se sacrificado demais’’, disse Ênio Fornéa.
O sacrifício é o motivo também apontado pelo próprio Fornéa para deixar o clube. Segundo ele, é preciso quatro horas diárias de doação ao Atlético e isso acaba prejudicando a vida particular do dirigente. ‘‘Por isso sentimos que é hora de outras pessoas se darem um pouco ao Atlético’’, reforçou Ênio Fornéa.
Para Ademir Adur, o desgaste principal vem da falta de apoio de uma das mais importantes partes da nação atleticana: a torcida.
Segundo ele, que já está afastado da diretoria desde o final do Campeonato Paranaense para ‘‘resolver negócios particulares’’, a torcida rubro-negra tem sido injusta com o clube.
‘‘É só ver que mesmo com tudo o que fizemos para o Atlético, as vendas de cadeiras e camarotes da nova Baixada continuam muito fracas. Falta reconhecimento no trabalho e isso desestimula a continuidade’’, reclamou.
Os dirigentes, no entanto, afirmam que não vão se afastar definitivamente do clube. De acordo com Fornéa, todos vão continuar colaborando para o crescimento do Atlético, mas sem a dedicação diária.
‘‘Vamos estar ajudando no que for preciso, mas queremos que outras pessoas assumam o pelotão de frente’’, disse Fornéa.
As pessoas ligadas ao Atlético acreditam, no entanto, que se não houver continuidade da diretoria haverá pelo menos a indicação de um candidato que terá a mesma postura dos atuais dirigentes e que será consenso entre os 300 conselheiros com direito a voto.
‘‘Não temos dúvida que se o quadro atual for mantido haverá apenas uma chapa de consenso e as eleições transcorrerarão na maior tranquilidade’’, disse João Augusto Fleury, que vai coordenar o processo eleitoral do próximo dia 15.Arquivo FolhaPrazo vencidoPetraglia: posição irredutível de deixar a presidência atleticanaEd Carlos Rocha

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