Petraglia diz que foi coagido por Ivens
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quarta-feira, 14 de maio de 1997
Júlio Tarnowski Jr. Sucursal de Curitiba 
O presidente do Atlético Paranaense, Mário Celso Petraglia, afastado preventivamente por um ato administrativo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), apresentou ontem, através da assessoria de imprensa do clube, uma nota pessoal de esclarecimento sobre as denúncias de corrupção no futebol brasileiro. O presidente nega qualquer negociação com o ex-presidente da Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol (Conaf), Ivens Mendes, e se diz vítima de um complô contra o Atlético.
O dirigente atleticano não havia feito qualquer pronunciamento depois das denúncias apresentadas pela Rede Globo, na semana passada. A orientação dos advogados particulares, entre eles o jurista Saulo Ramos, que é um dos consultores, é a de que Petraglia deveria permanecer em silêncio e usar da prudência.
O presidente afastado deverá comparecer hoje ao Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da CBF para depor e prestar esclarecimentos sobre o caso. O jurista Miguel Reali Júnior, e o advogado Valed Perry, especialista em justiça desportiva, foram contratados pelo dirigente atleticano e o acompanham nesta tarde no depoimento na CBF.
O tom da nota pessoal, com dez itens, publicada ontem nos principais jornais do país, é bem diferente e mais clara que a primeira divulgada na última sexta-feira pelo clube. Nesta, o presidente do Atlético se diz chocado com as denúncias feitas, principalmente no que diz respeito ao envolvimento de seu nome e do clube que dirige.
Não sou réu. Sou vítima. Fui coagido e reagi com prudente receio para não prejudicar o Atlético. Não corrompi ninguém. Jamais paguei ou mandei pagar um centavo sequer para corromper árbitros ou quem quer que seja, afirmam dois itens da nota.
Paralelamente ao trabalho dos advogados de Mário Celso Petraglia, o Atlético constituiu também o advogado carioca Antônio Augusto de Castro Alves Souza, que já defendeu o rubro-negro no STJD e o meia Hélcio, do Paraná Clube, no caso em que ele teria jogado sob efeito de doping.
Percebi nesses dois anos que o futebol brasileiro, um negócio que envolve bilhões de reais, ainda é conduzido por uma cartolagem que se promove em prejuízo dos clubes, dos jogadores, dos patrocinadores e da boa fé das torcidas. Descobri que os métodos de gerência são remanescentes da era Vargas - uma mistura de autoritarismo, arrogância, cartorialismo e ineficácia, escreveu Mario Celso Petraglia.
Ele continua afirmando que quer mudanças na estrutura do futebol. Lamentavelmente, o episódio ocorrido encobriu, num primeiro momento, a verdade. Mas ela é uma só: fui vítima de constrangimento, vivi o impacto de exigências indevidas. Meu lugar é no lado certo dessa história. Ao lado dos que querem mudanças, dos que trabalham por um futebol decente, que garanta direitos iguais a todos os clubes.
A comissão de inquérito do STJD espera ouvir hoje os três primeiros depoentes. Foram convidados - o tribunal não tem poder para obrigar uma pessoa a depor - os presidentes do Corinthians, Alberto Dualib, além de Petraglia. Em seguida, deporá o árbitro Oscar Roberto Godói (SP), que apitou a partida entre Atlético/PR e Vasco, pela Copa do Brasil, em que há suspeita de fraude. Na segunda-feira, deporá o secretário-geral da CBF, Marco Antônio Teixeira.


