Arquivo FolhaJogando na defesaMario Celso Petraglia vai ao Rio de Janeiro depor no STJD. Presidente do Atlético não fala desde a divulgação das fitas apócrifas, levadas ao ar pela ‘‘Rede Globo’’, na semana passadaO presidente afastado do Atlético Paranaense, Mário Celso Petraglia, estará amanhã no Rio de Janeiro, para depor no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Petraglia já foi chamado e segundo sua assessoria irá depor. A reunião com os deputados federais que compõem a subcomissão de Educação e Desporto da Câmara Federal, que está acompanhando o caso do escândalo de arbitragem no futebol brasileiro, deve acontecer somente na sexta-feira, provavelmente em Curitiba. Os advogados Miguel Reali Júnior e Valed Perry, devem acompanhar Petraglia em seu depoimento no Rio de Janeiro.
O dirigente atleticano e ainda o presidente do Corinthians, Alberto Dualib, foram suspensos preventivamente na última sexta-feira, por um ato administrativo da CBF, por supostos envolvimentos em irregularidades no favorecimentos de arbitragens, comandados pelo ex-presidente da Comissão Nacional de Arbitragens de Futebol (Conaf), Ivens Mendes. Na segunda-feira, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, extinguiu a Conaf.
Desde que as denúncias foram feitas, no ‘‘Jornal Nacional’’, da ‘‘Rede Globo de Televisão’’, na quarta-feira passada, Mário Celso Petraglia se manteve em silêncio. Segundo o advogado João Augusto Fleuri, um dos integrantes do departamento jurídico do clube, o Atlético Paranaense e seu presidente estão sendo ‘‘julgados por uma simples denúncia, levadas ao ar por uma televisão com o intuito de se buscar audiência’’.
‘‘Não existe denúncia formal contra o clube. O que houve é uma violação a direitos constitucionais, como o da privacidade do cidadão. A escuta telefônica, sem autorização, fere esses direitos. Ela não foi autorizada por ninguém’’, disse o advogado atleticano. A emissora de televisão (Rede Globo) recebeu as fitas em um pacote apócrifo. ‘‘Eles não sabem quem fez a gravação, ou a mando de quem’’.
João Augusto Fleuri disse que não tem procuração de Mário Celso Petraglia para defendê-lo. ‘‘Sou apenas um dos diretores jurídicos do clube. Mas questiono alguns pontos que, certamente, estão sendo preparados pelos advogados particulares de Mário Celso Petraglia. Nunca se levantou algum problema contra ele, seja de sonegação fiscal, jurídica ou algo que o valha. Ele (Petraglia) é um cidadão acima de qualquer suspeita e que vinha lutando pelos direitos do Atlético nas transmissões de televisão do Campeonato Brasileiro’’, afirmou o advogado do clube.
Sobre as conversas entre Petraglia e ex-presidente da Conaf, João Augusto Fleuri disse que elas não podem ser enquadradas como comprometedoras. ‘‘Como presidente do Atlético ele conversou com diversas pessoas, inclusive com o próprio Ivens Mendes. Mas ele não lembra de ter tido aquela conversa com o Ivens Mendes. Ele não seria ‘burro’ em falar aquilo’’, disse o advogado.
A forma como a gravação foi levada ao ar, parcialmente, também é contestada por João Ausgusto Fleuri. ‘‘A própria voz do Petraglia pode não ser aquela. A emissora de televisão ainda não liberou as fitas, apesar de eles terem dito no final da reportagem que as fitas se encontravam à disposição das autoridades’’.
A tática do silêncio, utilizada pelos dirigentes atleticanos, faz parte da estratégia adotada pelo clube. ‘‘Não iremos polemizar. E isso que eles querem. No momento certo o Atlético e seu presidente (Petraglia) falarão sobre o caso’’, disse um dos diretores jurídicos do rubro-negro.

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