São Paulo, 01 (AE) - Enquanto se prepara para o maior desafio na carreira - o de conseguir o título, inédito para o Brasil, de campeão mundial de surfe -, Peterson Rosa mostra preocupação com o futuro do esporte no País. "O Brasil precisa de alguém que faça um trabalho de longo prazo com nossos surfistas, se quisermos criar uma geração de campeões."
Segundo o brasileiro, é preciso que um patrocinador invista em um atleta desde os 14 ou 15 anos, fazendo com que ele acompanhe os campeonatos no exterior e tenha contato desde cedo com as melhores ondas do mundo, no Havaí e Ilhas Fiji.
"Ídolos do surfe são resultado de trabalhos como esse: o Kelly Slater (norte-americano seis vezes campeão do mundo) começou acompanhando o Tom Currem (que ganhou o mesmo título por três vezes)", diz Peterson. "No meu caso, fiz isso mais tarde, por conta própria, e foi o ano em que tive meu melhor desempenho
ficando em 8.º no ranking (1998)."
Peterson espera contribuir para uma mudança de atitude por parte das empresas que investem em surfe, conquistando o título mundial e incentivando o investimento nas novas gerações. Para isso, o surfista, de 25 anos, conta com seus oito anos de experiência no WCT e o patrocínio da MCD, uma multinacional da moda no surfe.
"Estou bastante confiante, ao ver que o Mark Occilupo, aos 34 anos, conseguiu ser campeão e o Víctor Ribas foi o terceiro", diz Peterson, que viajou ontem para a Austrália, para a etapa de abertura da temporada, dia 9.
Brasileiro - Bicampeão brasileiro em 1999, Peterson acha difícil chegar ao tri, por causa de uma mudança no calendário. As etapas do circuito nacional irão coincidir com as do Mundial, a prioridade do surfista. Mas ele garantiu que disputará a primeira prova da temporada.
"Não acho que a gente (os oito surfistas brasileiros no WCT) fará muita falta, porque o nível do surfe brasileiro é altíssimo e o circuito do nosso País é um dos mais difíceis do mundo", diz. "Só não sei se não haverá um interesse menor por parte do público."