Peter minimiza intervenção e culpa prefeito
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terça-feira, 31 de outubro de 2006
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Peter minimiza intervenção e culpa prefeito
Três dias após o Londrina sofrer uma intervenção judicial por causa de dívidas trabalhistas, o presidente Peter Silva finalmente falou sobre o caso. Em entrevista coletiva, ele se disse aliviado, se eximiu de culpa e jogou a responsabilidade para ex-dirigentes. Sobrou até para o prefeito Nedson Micheleti (PT), que, segundo Peter, não honrou o compromisso assumido de manter o patrocínio da Sercomtel até o fim do ano.
O cartola acredita que com a presença de um auditor do Ministério do Trabalho na administração do clube, a credibilidade aumente e que a cidade, enfim, acredite nos problemas administrativos e financeiros do Londrina. Ele até convidou o interventor Rubens Moretti para continuar na função até o fim de seu mandato, independentemente do fim da intervenção.
''Pode ser ruim para quem está lá na Bahia, em São Paulo, que vê isso, mas para nós aqui veio em boa hora. Vamos ter a Justiça do Trabalho como parceira. Uma coisa é o presidente falar que é difícil administrar, que não tem dinheiro, não tem patrocínio. Outra coisa é a Justiça falar isso'', disse o dirigente, que abriu sua conta pessoal para o interventor.
Apesar de repetir insistentemente que não quer dar largada a uma ''caça às bruxas'', se referindo a seus antecessores, ele se eximiu de qualquer culpa. ''A imprensa tem que passar para o público que a gestão do atual presidente é correta e que a Justiça verá o passado'', disse.
Nas justificativas, sobrou até para o prefeito Nedson Micheleti. Peter disse que de dezembro de 2005 a abril deste ano, pagou as parcelas de R$ 15 mil referentes ao acordo trabalhista. A primeira parcela afirmou ter pago com dinheiro dele e não do clube. As outras foram quitadas com parte do patrocínio repassado pela Sercomtel e que parou de pagar (as parcelas) a partir de maio porque a empresa rompeu seu contrato com o clube neste mês. ''Tive uma reunião antes de assumir o cargo na casa do J.B. Faria, com a presença do Roberto Vezzozo (ambos empresários), do prefeito Nedson, e do Marival Mazzio (presidente da Fundação de Esportes de Londrina) em que o prefeito se comprometeu em manter o patrocínio até o final'', revelou, deixando no ar que Micheleti não teria honrado sua palavra.
De acordo com a assessoria de imprensa do governo municipal, o contrato foi rompido porque o clube, na época, havia ficado sem calendário para o restante da temporada - a Copa 100 Anos ainda não havia sido criada - e que não haveria exposição da marca da empresa.
Uma pessoa ligada ao clube e à administração municipal confirmou que o patrocínio teria sido rompido por retaliação. O presidente do Conselho Deliberativo do LEC, o advogado Fábio Theóphilo, teria algumas ações contra a telefônica e a prefeitura e a manutenção do investimento no clube estaria vinculada à sua retirada do cargo, o que não aconteceu e não acontecerá, a não ser que ele renuncie. Theóphilo negou os fatos.
Futuro - No primeiro dia de trabalho, Moretti já requisitou ao clube o balanço de 2005, o livro diário, o livro razão, os balancetes de 2006 e as notas fiscais de despesas também de 2006.
A Sede Campestre já é dada como perdida. Ela está penhorada para pagar dívidas trabalhistas. Com a extinção do local, o clube perde também seus associados e terá que mudar seu sistema de escolha do presidente, que hoje é o de eleição direta. Especulações na cidade dão conta de que a ação teria sido premeditada para facilitar a concentração do poder em uma pessoa ou um grupo.
Peter confirmou que seria necessária uma mudança no estatuto do clube, o que favoreceria uma eventual reeleição. Antes, ele já havia deixado no ar que não quer ver seu projeto, que é de pelo menos cinco anos, ter a rota alterada. ''Temos que ter um grupo para tocar o Londrina pelos próximos oito anos'', disse.


