Pessoas por trás das máquinas
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domingo, 20 de agosto de 2006
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
A pista do Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Londrina, foi um prato cheio ontem para os amantes da velocidade. Durante todo o dia o público que compareceu ao local assistiu a corridas de motos de várias cilindradas, carros de diversas marcas e protótipos. Eram provas do Campeonato Metropolitano de Velocidade, Campeonato Paranaense e Campeonato Regional de Cascavel, além da abertura da Copa Mercosul de Motovelocidade.
Mas quem se aventurou pelos boxes e teve a chance de conversar com os pilotos pôde descobrir histórias e personagens curiosos por trás das máquinas. Quem chama muito a atenção é Amanda dos Santos Barbosa, 18 anos, a única mulher a competir, dentro da categoria Speed Fusca. ''Comecei com o Kart e depois fui para a categoria Marcas com um Gol. Mas não me adaptei e resolvi tentar o Fusca. Estou em quarto lugar no campeonato'', diz. E apesar da fragilidade decorrente da baixa estatura e do corpo miúdo, Amanda sonha em pilotar caminhões. ''Meu sonho é correr na Fórmula Truck'', afirma.
Na categoria motos, Diego Fernando Faustino é a revelação. Com apenas 16 anos, ele já é o quarto colocado na competição e ficou em primeiro lugar na corrida de ontem. ''Alguns amigos me chamaram para correr e escolhi as motos porque a emoção é maior. Nos carros, o piloto é quem manda. Com a moto, ela manda um pouco e a pessoa precisa ter o controle'', comenta.
Ao contrário do que acontece na maioria das vezes, a paixão do filho acabou incentivando o pai a competir também. ''Meu pai tinha moto para passear e depois de um tempo começou a usar a minha reserva. Hoje ele corre também'', diz. Para o futuro, o garoto espera participar do campeonato brasileiro do ano que vem. ''Se der, pretendo ser profissional.''
Outra história de família que corre unida é do empresário José Carlos Messas, 49 anos. Apaixonado por carros, ele correu dez anos na Speed Fusca e está há dois anos na categoria Marcas com um Gol. Quem compete com o Fusca agora é o filho Flávio Messas, 21 anos, quarto colocado na categoria.
''Ele sempre quis correr, mas minha esposa não queria. Ele começou amaciando motores para a equipe e este ano acabamos deixando ele correr. É uma situação diferente porque torcemos muito para ele ganhar, mas também ficamos preocupados com a alta velocidade'', lembra o pai.
Um veterano que atrai olhares de qualquer um que goste de velocidade é o piloto Neno Oliveira, 58 anos. Nas competições há quatro anos, ele carrega uma história de três anos ao lado de Ayrton Senna. Neno foi piloto particular do jato de Senna. ''Onde vou as pessoas sabem quem sou, vêm falar comigo'', orgulha-se.
A paixão por corridas, que começou na adolescência, aumentou com o convívio com o tricampeão mundial. ''Ele era meu grande ídolo. Muitas vezes eu conseguia assistir às corridas que ele participava'', conta.


