São Paulo - A medalha de ouro por equipes do hipismo no Pan foi um cala-boca a quem transformou a disputa pelas vagas em uma briga sem escrúpulos e de baixo nível. O melhor ginete do país desabafou ontem. E, sem papas na língua, criticou o conturbado processo de classificação para os Jogos do Rio.
O recado de Rodrigo Pessoa tinha ao menos um endereço direto: Vítor Alves Teixeira, cavaleiro que entrou na Justiça contra os critérios usados na seletiva realizada no Brasil.
Sinal do mal-estar criado pela disputa, dizem pessoas envolvidas no evento, o ginete nem sequer foi convidado para o Concurso de Saltos Athina Onassis, em São Paulo. A principal prova da competição acontece hoje, às 12h45, e distribuirá 300 mil euros (cerca de R$ 800 mil) em prêmios.
''Problemas políticos acontecem em todas as seletivas, cada um quer puxar para seu lado. Mas tem de puxar com juízo. E, neste ano, o juízo arrebentou, não existiu'', afirmou Pessoa. ''Queria ter me envolvido menos, ter tido um verão mais tranquilo, mas não pude me omitir. Usei esse processo de aporrinhação para transformar tudo em energia positiva e calar a boca de todo mundo que estava contra a nossa vontade.''
A vontade era contar com uma equipe formada basicamente por cavaleiros radicados no exterior. Na avaliação do campeão olímpico, só assim o Brasil poderia buscar o pódio. Por causa do baixo nível das competições e até dos cavalos nacionais, acredita Pessoa, um cavaleiro só consegue atingir a elite se viver longe do Brasil.

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