Pesenti, a fera que quase desistiu
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sábado, 17 de maio de 1997
Filipe Pimentel Sucursal de Curitiba 
Marcelo AlmeidaEduardo Pesenti, que participa do Mercadorama de Golfe em CuritibaO paranaense Eduardo Pesenti, de 25 anos, um dos melhores jogadores de golfe do Paraná e do Brasil, está de volta aos greens. Depois de quase seis meses de inatividade, Pesenti retornou às competições no 2º Open Mercadoram de Golfe, que começou sexta-feira no campo do Clube Curitibano, em Quatro Barras e termina hoje.Atualmente o golfista não está no ranking brasileiro. Em 1996 ele figurou entre os oito melhores.
Ele explica que as constantes viagens o deixaram desmotivado a jogar no Brasil. Guardei os tacos e não vi mais nada relacionado ao golfe, conta Pesenti, que a partir daí foi trabalhar na empresa de seu pai. Pesenti é formado em Administração de Empresas.
Mas o golfe está em seu sangue. Bastaram pouco mais de quatro meses para que sentisse falta das competições, das tensões e das emoções do esporte. Não aguentei ficar naquela rotina de escritório e acabei voltando com tudo, comenta.
O Eduardo Pesenti que retornou aos campos é muito diferente daquele que deixou o golfe meses atrás. O golfista agora quer se aprimorar e tentar consquistar torneios internacionais. O projeto é jogar no Brasil em 1997 e a partir do ano que vem, disputar competições nos Estados Unidos.
Os torneios no Brasil ainda pagam muito pouco, se comparados principalmente com os Estados Unidos, diz. Atualmente consegue viver apenas do golfe, mas ressalva que isto só é possível porque mora com ospais, não é casado e quase não tem despesas pessoais. Caso contrário estaria ferrado, admite.
Eduardo Pesenti começou a jogar aos 13 anos, de brincadeira. Ele praticava com um tio e alguns amigos, mas não levava o esporte muito a sério. Eu achava que era um jogo para velho. Jogava sem concentração e brincava durante os jogos, contou.
Mas o que era apenas um hobby começou a ficar sério, e bem sério. Seus bons resultatos o levaram participar de torneios e mais torneios amadores pelo Brasil. Em pouco tempo tornou-se 1º colocado no ranking brasileiro amador e 1º colocado no sul-americano. Em 1995 foi campeão do Aberto do Brasil.
A profissionalização só aconteceu em 1996. Esperei primeiro concluir o curso universitário, diz. De lá para cá foram inúmeros torneio e um terceiro lugar no 1º Open Mercadorama de Golfe, no Clube Curitibano.
Ser profissional de golfe no Brasil não significa que as empresas de material esportivo vão cair em cima querendo patrocinar. Ele não tem patrocínio pessoal, só de material (tacos, bolinhas e luva). O profissional precisa ganhar torneios para pagar as contas de viagem.
Eduardo Pesenti morou três meses do ano passado nos Estados Unidos. Joguei um Mundial. Fui muito mal, mas só ter participado já valeu muito, afirmou. Além disso ele também jogou o Tour Sul-Americano. Sua passagem pelos Estados Unidos contribuiu para que descobrisse a grande diferença do golfe brasileiro para o resto do mundo. Estamos mil anos luz atrás dos americanos, por exemplo, diz, completando, que nos torneios dos Estados Unidos, se 100 jogadores se inscrevem, 80 deles têm chances de ser o campeão.
Por outro lado, os prêmios pagos nos torneios da PGA (Associação Profissional de Golfe) são muito mais convidativos: Aqui acho que a premiação mais alta é R$ 15 mil, diz. Na América do Norte, chega a mais de R$ 1 milhão para os primeiros colocados de um circuito.


