Saitama - Até a semifinal contra a Turquia, Ronaldo já havia marcado cinco gols na Copa e dera sinais claros que voltava a ser o craque intitulado fenômeno. Mas só ontem, depois de virar o artilheiro isolado da Copa do Mundo, teve segurança suficiente para anunciar: ‘‘O pesadelo acabou’’.
A frase proferida minutos depois de o atacante ter feito, de bico, o gol da vitória brasileira, visava expurgar mais de dois anos de infortúnios, período em que sofreu duas cirurgias no joelho e teve uma lesão muscular séria.
Mas, pelo relógio das Copas, o que Ronaldo quis dizer é que deixou para trás ontem tudo de ruim que lhe passou desde a tarde de 12 de julho de 1998, provavelmente a pior de sua vida, quando sofreu uma crise nervosa momentos antes da derrota para a França na final do último Mundial.
‘‘Não quero lembrar. Tenho procurado não pensar em 98. Passamos aí quatro anos. Agora é uma outra história. Vamos procurar fazer com que o final seja diferente’’, disse, ao ser questionado sobre as lições que poderá tirar daquele episódio. ‘‘Ganhando ou perdendo, a minha maior vitória já foi ter voltado a jogar.’’
Com seu novo corte de cabelo – apelidado de ‘‘Cascão’’, pela semelhança com o personagem dos quadrinhos de Maurício de Sousa –, e estreando novas chuteiras prateadas, Ronaldo estava mais preocupado em aproveitar o dia. Curtiu o feito de ultrapassar Ademir e, com 10 gols, virar o segundo maior artilheiro brasileiro em Copas, só atrás de Pelé (12).
Sobre o histórico jogo com a Alemanha, a sua terceira final de Copa seguida, a segunda em campo, previu flores, mas pediu o auxílio do destino: ‘‘Vai ser uma final linda, maravilhosa. Vamos torcer para que tudo dê certo’’.
Parecia até que Ronaldo falava após uma atuação de gala. E não foi, ao menos ‘‘tecnicamente’’, uma atuação de gala. Além do gol, foram três passes açucarados – um no primeiro tempo, para Cafu, e dois na segunda etapa, para Edílson e Kleberson.
O suficiente para ser eleito o melhor em campo pela Fifa e ser aplaudido em peso ao deixar o campo aos 23 minutos do segundo tempo, substituído por Luizão. Foi um jogo tão intenso para Ronaldo que o normalmente calmo atacante se meteu em confusão. No final do primeiro tempo, se desentendeu com o zagueiro turco Korkmaz e foi tirar satisfações com o adversário quando entrava nos vestiários.
‘‘Não houve briga. Num cruzamento, me joguei para alcançar a bola, caímos juntos e, quando ele levantou, me pisou e me deu um soco na cabeça. Não sou jogador de revidar. Fiquei muito bravo, porque é o tipo de atitude antiesportiva’’, explicou Ronaldo. ‘‘Minha vitória foi ter feito o gol. Foi o meu soco nele.’’

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