Nelson Guarnier Filho começou como massagista e foi se aperfeiçoando: "O atleta olímpico é mais obediente em relação às nossas recomendações"
Nelson Guarnier Filho começou como massagista e foi se aperfeiçoando: "O atleta olímpico é mais obediente em relação às nossas recomendações" | Foto: Saulo Ohara



O campeão olímpico no salto com vara Thiago Braz atingiu em fevereiro, em competição realizada na França, a marca de 5m80, nove centímetros além do índice necessário para disputar o Mundial de Atletismo que será realizado em Doha, no Catar, de 27 de setembro a 6 de outubro. O atleta voltou ao Brasil, para Marília (SP), para folga de uma semana e na sequência vai retomar os treinos para a temporada ao ar livre.

No intervalo entre competições, um pé-vermelho velho conhecido do medalhista de ouro no Rio-2016 entra em cena. O fisioterapeuta especialista em massoterapia terapêutica Nelson Guarnier Filho, penapolense radicado em Londrina, se encontrará nesta segunda-feira (4) com Braz.

O período de descanso servirá para que o atleta cuide da panturrilha e das costas, onde sentiu dores que o impediram de participar das competições anteriores em condições ideais e de obter resultados melhores. O encontro com Guarnier será permeado por tratamentos intensivos, já que em abril Braz participa de camping da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) e do COB (Comitê Olímpico do Brasil) em Chula Vista (Estados Unidos).

No dia 28 de abril, haverá o Grande Prêmio Brasil de Atletismo, e o atleta também deve participar de algumas etapas da Diamond League. A maratona de provas inclui também o Sul-Americano, entre 24 e 26 de maio, em Lima, mesma cidade que vai receber os Jogos Pan-Americanos, de 26 de julho a 11 de agosto, antes do Mundial.

No primeiro ciclo olímpico do qual participou, a partir de 2012, Braz ainda era uma promessa. "Quando cheguei à Itália, o Thiago tinha várias dores na cervical, no joelho, na lombar, no tornozelo e nos pés. Com seis dias de tratamento intensivo, ele não tinha mais nada de dor", relembrou Guarnier.

"Mas para isso eu fazia atendimento duas vezes ao dia, com hidroterapia, fisioterapia aquática, massagem, que a gente chama de soltura, equipamentos específicos e acupuntura. Usei todos os recursos que a gente poderia usar e ele reagiu bem, porque fisicamente é muito forte. Até o técnico ucraniano Vitaly Petrov, que considero um gênio, resolveu se tratar comigo. Ele sentia um pinçamento no disco cervical. Ele gostou tanto que continuou o tratamento", relatou o fisioterapeuta. Outro famoso que passou por suas mãos foi o atleta do salto triplo Jadel Gregório, paranaense do Jandaia do Sul (Norte).

Antes de se tornar referência na área, Guarnier cuidou de muitos outros atletas. "Comecei como massagista, com 15 anos de idade. Fui me especializando, fazendo cursos técnicos", contou. Tornou-se massoterapeuta, quiroprata e acupunturista, antes de fazer a faculdade de fisioterapia.

"Trabalhei com o Neto, na época em que o Matsubara estava em Londrina (1995)", destacou. Posteriormente, quando Élber pendurou as chuteiras (2006), ele também foi responsável por realizar o tratamento no ex-atacante do Bayern de Munique, um dos maiores artilheiros estrangeiros do clube alemão, com 139 gols, e vencedor de quatro Bundesligas e de uma Liga dos Campeões com o time da Baviera. "Tratei do Élber quando ele parou de jogar e estava com muita dor na coluna. O médico queria operar, mas fiz tratamento de algumas semanas e ele ficou recuperado", apontou Guarnier.

Na sala de seu consultório, ele aparece em fotos ao lado de alguns desses famosos, como o próprio Thiago Braz, Vitaly Petrov e Michael Johnson, ex-velocista norte-americano.

Guarnier ressaltou que os tratamentos de atletas amadores e olímpicos possuem diferenças. "Os atletas olímpicos são atendidos 24 horas por dia, ou seja, ficamos disponíveis o tempo todo se eles apresentam alguma lesão. A recuperação é muito mais rápida, por causa da alimentação adequada e do cuidado com o sono. O atleta olímpico também é mais obediente em relação às nossas recomendações. Já o atleta amador faz atividade física, trabalha o dia inteiro, tem que dar atenção em casa e às vezes não dorme da maneira adequada. A recuperação é um pouco mais lenta", explicou.

Nos Jogos Olímpicos do Rio, a procura dos atletas pelas terapias manuais de Guarnier foi grande. "Modéstia à parte, os atletas faziam fila para que eu os atendesse, porque eu tenho muita experiência em realizar massagens e a terapia manual proporciona recuperação muito rápida", destacou.

Chegada ao COB foi indicação de ex-professor da UEL

Quem conduziu Nelson Guarnier Filho para a CBAt e para o COB foi o ex-professor da UEL (Universidade Estadual de Londrina) Antônio Carlos Gomes, que atualmente é consultor científico do comitê para esporte de alto rendimento. "A preparadora física da Natália Falavigna (medalhista olímpica de taekwondo) o apresentou para mim. Eu ajudava no treinamento físico dela e ele também atendia a Natália. Quando assumi a consultoria para o ciclo olímpico do comitê, chamei-o para integrar a delegação. Foi sensacional, pois estávamos há oito anos sem medalha e 'medalhamos'. Ele cuidou de todos os atletas do atletismo e teve até recorde olímpico", recordou Gomes.

Desde então, o nome de Guarnier está bastante associado ao de Thiago Braz, com quem realizou camping de treinamento em Formia, na Itália, com o treinador Vitaly Petrov, ex-técnico dos recordistas mundiais Serguei Bubka e Elena Isinbaeva.

Tanto Guarnier como Gomes apontam nomes que podem se destacar na Olimpíada de Tóquio, em 2020. Além de Thiago Braz, eles ressaltam Darlan Romani, no arremesso de peso, e os atletas do revezamento 4 x 100 metros masculino. "Vejo que eles têm chance de conseguir medalha", afirmou Gomes.

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