Pery sonha em repetir trajetória do irmão famoso
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terça-feira, 08 de fevereiro de 2000
Por Brás Henrique 
Ribeirão Preto, 08 (AE) - Desconhecido no cenário do futebol brasileiro, Valdonier Luxemburgo da Silva, ou simplesmente Pery, irmão de Wanderley Luxemburgo, começou a trabalhar hoje no Taquaritinga, que disputará a Série B1A do Campeonato Paulista. Ou melhor: apresentou-se à diretoria e à imprensa. Treino? Nada. Só na segunda-feira (14). O clube não definiu o elenco nem o restante da comissão técnica. Apesar disso, Pery sonha em alçar vôos na nova carreira e criar sua própria identidade.
O Luxemburgo sem fama quer montar um time ofensivo, buscando sempre o gol. Porém, pretende ser disciplinador e já dá um aviso aos futuros jogadores: se tiver que xingar algum jogador, como o mano da seleção brasileira, vai fazê-lo, sem dó. "Palavrão eu falo um bocado", afirma ele, mostrando familiaridade com a linguagem comum dos futebolistasa.
A estrutura do Taquaritinga é modesta e a esperança do futebol não ser extinto na cidade é a terceirização. Por isso, Pery foi contratado pela Jori, que assume o clube, tentando voltar às conquistas, como os acessos à elite em 1982 e 1992, além do título da B1A em 1997. Os jogadores são escassos e inexperientes. Talvez a competição seja sub-23, que desagrada Pery, que prefere a mesclagem. Mas, o que esperar do novo treinador? "Se tudo correr bem, não haverá problema, mas serei enérgico quando não for atendido taticamente", diz Valdonier. "O adversário é que tem que se preocupar comigo, não eu com ele." Ex-lateral-direito de times amadores do Rio de Janeiro e de Vitória, onde residiu depois de se casar - atualmente está separado -, Pery acredita que acumulou experiências no futebol com auxiliar (de técnicos radicados no Espírito Santo e desconhecidos em outros estados) e treinador do Vitória, além de observar o irmão, principalmente na primeira passagem pelo Palmeiras. "Eu estava vendo material para minha gráfica e pude acompanhar o Wanderley no meio de tantas cobras criadas", relata ele.
Agora, ele ficará distante dos cinco filhos para iniciar o seu sonho de sucesso na carreira, reconhecendo que o CAT até tem mais estrutura que o "grande" Vitória. "Nada conheço das divisões inferiores paulistas, mas estou empolgado", admite Pery, de 49 anos, disposto a mostrar que não será apenas a sombra do irmão entre os treinadores.


