Desde os tempos da Faculdade de Educação Física em Santos, onde se formou na mesma turma que os ex-jogadores Pelé, Cabralzinho e Edu Bala, vários sinais da forte personalidade de Émerson Leão já eram evidentes.
Durante sua carreira de goleiro, iniciada no Comercial de Riberão Preto, sua terra natal, Leão sempre impôs seu estilo ao mesmo tempo arredio e muito disciplinado. Por outro lado, costumava ficar horas aprimorando seus defeitos após os treinamentos.
Ao chegar à Seleção Brasileira em 1970, quando fez parte do grupo que conquistou o tricampeonato mundial, como terceiro goleiro, Leão não dava passos em falso. Cada atitude e cada declaração eram pensadas com um racionalismo típico de sua família, já que seus outros dois irmãos, Edmílson, 53 anos, e Édson, 58 anos, são médicos.
‘‘A carreira dele sempre foi calcada no profissionalismo e na competência, nunca foi baseada em sonhos,’’ disse Edmílson, logo que soube da notícia de que seu irmão caçula chegou ao cargo de técnico da Seleção Brasileira de futebol.
Na Copa de 1974, na Alemanha, chegou a ter sua posição de titular ameaçada por Wendell. O ambiente ficou conturbado na Floresta Negra, local da concentração da seleção. Na época, Leão não era bem visto pelos jornalistas do Rio de Janeiro e passava os treinamentos emburrado, ouvindo-os aplaudir as defesas de seu rival durante os treinamentos.
Mas, crescer nos momentos de adversidade também foi uma das marcas de sua carreira. Sua tática, então, passou a ser a de provocar Wendell. A pressão psicológica pode ter funcionado, porque ele conseguiu ganhar a posição após seguidas contusões do colega, que acabou cortado, cedendo seu lugar a Valdir Peres. Na ocasião, Leão ironizou Wendell, insinuando que suas contusões eram resultantes do receio em disputar a posição com ele.
Marcou época no Palmeiras, clube que defendeu por mais de dez anos, consagrando-se como um dos melhores goleiros do Brasil em todos os tempos.
Em seus últimos anos no Palmeiras, Leão mostrou seu temperamento explosivo ao dar um soco na cabeça do atacante Careca, do Guarani, na final do Campeonato Brasileiro de 1978. Foi imediatamente expulso pelo árbitro Arnaldo Cézar Coelho, ficando de fora da segunda partida decisiva, vencida pela equipe de Campinas.
Quando chegou ao Vasco da Gama, no final dos anos 70, o goleiro também teve de enfrentar a animosidade da imprensa local. Na época, o grande ‘‘xerife’’ do time era o zagueiro Orlando. Leão não se intimidou. Logo nos seus primeiros treinamentos, não aceitou reclamações e ainda gritava com seus novos companheiros, como se fizesse parte da equipe há muito tempo. Foi o suficiente para ele garantir seu lugar entre os titulares e ajudar o Vasco a ser campeão estadual daquele ano.
Sua experiência no Grêmio também lhe abriu portas no Rio Grande do Sul. Na final do Campeonato Brasileiro de 1981, contra o São Paulo, envolveu-se em uma confusão com o centroavante Serginho Chulapa, que chegou a chutar sua cabeça enquanto estava no chão.