Persistência rendeu contrato na Hungria
O lateral-direito Élvis está bastante animado. É que depois de um bom tempo, ele vai poder comprar o que quiser com seu próprio dinheiro. Daqui a alguns dias, ele recebe seu primeiro pagamento no novo clube, o SZTK, da Segunda Divisão húngara.
Apesar de ter apenas 21 anos, o jogador natural de Francisco Beltrão já sentiu muito na pele o drama do desemprego. A primeira vez foi de janeiro a junho de 2010, quando o contrato dele com o Francisco Beltrão acabou. ''Foi muito difícil. Sem dinheiro, contas para pagar, aluguel vencido, muito complicado'', contou o jogador, que se apoiou na então noiva, que aceitou adiar o casamento. ''Atrapalhou tanto no casamento como em outros planos também, como financiamento do carro, compra da casa e coisas básicas que todo mundo sonha''.
Para se manter, Élvis contou que, além de empréstimo com amigos, fazia alguns bicos e também atuava em campeonatos amadores. Recebia R$ 150 por jogo, que lhe rendiam em média R$ 600 por mês.
''Fiquei bastante abalado psicologicamente e pensei em parar várias vezes. Não parei por fé em Deus e apoio da família'', lembrou, apontando a falta de contatos no futebol como um dos obstáculos.
Ele ainda voltouu a defender o Beltrão e jogou ainda na Platinense. Com o clube de Santo Antonio da Platina foi excursionar pela Hungria no início de 2012 e conseguiu um clube. Parecia estar com os problemas resolvidos, mas não foi assim. ''Tive problemas de documentação e não pude ser registrado. Mesmo assim fiquei na Hungria sem receber salários para abrir uma porta lá'', contou.
Foram cinco meses somente treinando em troca de um lugar para dormir e comida. O pai, Nevio Ghisi, suinocultor em Francisco Beltrão, mandava um dinheiro para ajudá-lo. ''O momento mais difícil foi o começo, quando cheguei aqui. Tudo novo, tudo muito diferente: cultura, comida, clima. E sem grana'', comentou.
Élvis reconheceu que pensou várias vezes em parar. ''Dá desespero, vontade de parar, de seguir em frente, de dar porrada na vida, choro, pranto. Você se pergunta o por quê de tanta coisa, de tanta batalha. Mas se não tiver batalha, não tem recompensa'', desabafou.
Élvis voltou ao Brasil em junho, resolveu o problema de documentação e assinou contrato de 1 ano e 8 meses com o SZTK. No proximo dia 20, ele recebe o primeiro salário. Vacinado pelas pancadas que tomou na curta carreira, confessou que ainda não está totalmente feliz. ''Cara, eu estou feliz, mas não completamente. Estou em busca da felicidade''. (T.M.)





