São Paulo, 11 (AE) - Esta será a segunda final de um Campeonato Paulista na carreira do goleiro Maurício. A primeira vez foi em 1990, quando no seu primeiro ano como profissional no Novorizontino, com 19 anos de idade, perdeu a decisão do estadual para o Bragantino. Nove anos depois, Maurício quer a consagração. "Ser campeão pelo Corinthians ainda mais em uma final contra o Palmeiras é um feito de uma grandeza que não tem tamanho", diz o goleiro que, desde que se tornou titular, o time nunca mais perdeu.
Alguns companheiros daquela equipe do Novorizotino passaram a década colecionando glórias e dinheiro. O zagueiro Márcio Santos e o meia Paulo Sérgio passaram por grandes clubes do País, foram jogar na Europa e ainda conquistaram o tetracampeonato mundial com a seleção brasileira em 1994, nos Estados Unidos. O técnico era Nelsinho Batista, que também ficou famoso e foi campeão no Corinthians e no São Paulo.
Para Maurício, as coisas foram mais difíceis. Revelado pelo time de Novo Horizonte, ele passou rapidamente por clubes como Portuguesa, Ponte Preta, Santos e Paysandu sem sequer ser notado. Chegou ao Corinthians em 1995 e ganhou um lugar cativo no banco de reservas. Viu o time ser campeão paulista (95 e 97) e da Copa do Brasil (95), sempre como suplente.
Quando Ronaldo deixou o clube, no início do ano passado, Maurício estava machucado. O outro reserva, Nei, aproveitou a chance e assumiu a camisa 1 do time. Maurício voltou a amargar o banco. Colecionou mais um título no seu currículo, o de campeão brasileiro de 1998. Mas no álbum de retratos do jogador não consta nenhuma foto do time posado com Maurício como titular.
A chance apareceu recentemente, quando o treinador de goleiros do Corinthians, Paulo César Gusmão, conversou com o técnico Oswaldo de Oliveira e achou melhor promover Maurício e tirar Nei do time. O goleiro virou titular justamente na segunda partida contra o Palmeiras pelas quartas-de-final da Libertadores. "Estava sem ritmo mas fiz uma boa tuação", lembra Maurício que, desde então, fez sete jogos e sofreu apenas dois gols.
Agora, com o time na final, Maurício sonha com a consagração. "O título paulista vai coroar tudo o que passei aqui no Corinthians", destaca o perseverante goleiro. A jovem promessa que chorou com a perda do campeonato na decisão caipira de 1990 garante estar totalmente amadurecido aos 28 anos. "Vou fazer de tudo para fechar o gol."

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