Perrella insinua armação e veta Sidrack para final do Brasileiro
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sexta-feira, 18 de dezembro de 1998
Agência Estado 
Depois da polêmica arbitragem do sergipano Sidrack Marinho no jogo entre Cruzeiro e Palmeiras, anteontem à noite, em Belo Horizonte, o presidente do clube mineiro, José de Oliveira Costa, o Zezé Perrella, insinuou que possa estar havendo uma armação para prejudicar o time nas duas decisões que disputa. Segundo Perrella, embora o Cruzeiro tenha conseguido vencer a primeira partida da final da Mercosul, por 2 a 1, Sidrack teria mostrado, claramente, a intenção de favorecer a equipe paulista.
Ele não procurou nem dissimular, deu as faltas só contra o Cruzeiro e nos roubou dois pênaltis claros, afirmou o dirigente. Perrella informou que irá fazer tudo que estiver ao seu alcance para vetar a possível indicação do sergipano para os próximos compromissos do Cruzeiro, tanto na Mercosul quanto no Brasileiro. Se colocarem esse rapaz para apitar nossos próximos jogos, estará provado que há uma armação para tirar os dois títulos do Cruzeiro, acrescentou, sem citar nomes de responsáveis pela suposta manobra.
O presidente do time mineiro, que, antes da partida de anteontem, considerava Sidrack um juiz honesto, foi duro nas críticas ao árbitro. Esse cara poderia ter nos causado um prejuízo muito grande, porque mostrou total desequilíbrio, avaliou.
Perrella disse, porém, estar confiante em que o bom senso prevaleça entre os membros da comissão de arbitragem da CBF, para a escalação dos trios de arbitragens nos três ou quatro jogos que restam para o Cruzeiro, neste ano. Eu não tenho o poder de dizer quem vai apitar ou não, mas acredito que o bom senso vai falar mais alto, disse.
Também o técnico cruzeirense Levir Culpi, para quem os critérios da arbitragem foram tendenciosos para o Palmeiras, manifestou repúdio ao que aconteceu no Mineirão. De acordo com o treinador, os erros do sergipano, considerado um dos melhores árbitros do País, levantaram suspeitas sobre os motivos que o teriam levado a assumir tal conduta. A capacidade do Sidrack não permite que ele erre tanto, afirmou.
Culpi lembrou que, antes do pênalti marcado por Sidrack sobre Alex Alves, no último minuto do jogo, o juiz já tinha feito vistas grossas a duas outras faltas dentro da área palmeirense. Essas duas penalidades foram muito mais claras que a terceira, que ele apitou somente porque não tinha mais clima para deixar passar, disse. Isso tudo nos trouxe muita preocupação para os jogos futuros, finalizou o técnico.
Novo ânimo - A vitória de 2 a 1 sobre o Palmeiras, anteontem à noite, no Mineirão, pela Mercosul, devolveu o ânimo aos jogadores do Cruzeiro para a segunda partida da decisão do Brasileiro, domingo, contra o Corinthians, no Morumbi. Apesar de terem atuado em um campo molhado pela segunda vez, em menos de 72 horas - a primeira foi domingo, no empate por 2 a 2 com o mesmo Corinthians - e de a partida ter sido a 77ª da equipe na temporada, os atletas garantem que não estão cansados. Todos, sem exceção, disseram, ontem, encontrar-se em plenas condições físicas e psicológicas para reverter a vantagem do time de Wanderley Luxemburgo.
Na verdade, nossa moral nunca foi abalada, mesmo depois daquele empate com o Corinthians, quando chegamos a estar vencendo por 2 a 0, afirmou o meia Valdo. Mas, não há dúvida de que uma vitória como a de quarta-feira dá um novo ânimo à equipe para ir tentar o título brasileiro, completou.
As diretorias de Cruzeiro e Palmeiras anunciaram, ontem, um novo acordo sobre o prêmio de US$ 4 milhões destinado ao campeão da Mercosul. Quem ficar com o título, leva US$ 2,5 milhões, e não mais US$ 3 milhões, como previsto. O vice embolsa US$ 1,5 milhão.


