Anos 80. O mundo vivia a corrida espacial com a Guerra Fria. O Brasil, um momento de redemocratização e Londrina, mesmo ainda muito jovem, continuava sendo referência de desenvolvimento, principalmente devido ao seu crescimento vertical. No esporte, a expectativa da nação brasileira com o famoso time que foi à Copa do Mundo em 82, na Itália. Além disso, o Londrina Esporte Clube vivia ainda a euforia de ter estado entre os quatro melhores do País em 1977.
Nesse cenário o futebol de salão de Londrina viveu um período de transição. Após o chamado 'período romântico' da modalidade, nas décadas de 60 e 70, o futebol de salão começou a viver um período de profissionalização. Algumas regras mudaram e mesmo o nome do esporte foi encurtado para futsal.
As maiores equipes rivais da cidade, Monções e Cacique, tiveram seus times desmontados e poucos grupos continuaram sob patrocínio das empresas. Já em 83, apenas os bancos Comindi e Banco do Brasil, e a Cotam, indústria de café de Rolândia, mantinham os times. ''O Banco do Brasil oferecia empregos em concurso e tinha a estrutura da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil). Depois, os clubes começaram a se interessar e passaram a oferecer títulos de sócio-atleta e toda a estrutura para os atletas treinarem'', explica o ex-goleiro Caio, que integrou a seleção de Londrina e atuou por vários clubes da cidade.
Começava então uma outra era do futsal em Londrina. Até mesmo os colégios particulares também passaram a se interessar pela modalidade. ''Os colégios faziam parcerias com os clubes e ofereciam bolsas'', afirma Gumercindo Gonzaga Marcantônio, ex-presidente da Liga de Futebol de Salão de Londrina e atual diretor do Autódromo Internacional Ayrton Senna. Em meados de 80, os clubes viviam um bom momento, com um grande número de associados ativos, e a rivalidade, um pouco esquecida desde a época das equipes Monções e Cacique, transferia-se para as agremiações.
''O Canadá, o Iate, o Londrina e o Grêmio eram as melhores equipes da cidade'', diz Ederson Camata, atual presidente do Grêmio e ex-presidente da Liga Futsal. A partir daí, houve uma profissionalização do esporte e os atletas passaram a receber em dinheiro o que então recebiam em brindes ou até mesmo empregos. ''Pelos valores pagos hoje em dia, cada jogador recebia em média dois salários mínimos'', lembra o ex-goleiro Caio. Segundo ele, os atletas também ganhavam prestígio e sempre eram protagonistas de confraternizações realizadas pelas equipes em que atuavam.
Porém, o fim da década de 80 já dava sinais do que significou a decadência no futsal local. As outras cidades do interior começavam a se fortalecer e a seleção de Londrina não mais assustava os times paranaenses. Além disso, a liga londrinense se via cada vez mais enfraquecida já que seus melhores jogadores eram seduzidos por praças que podiam pagar salários mais altos.
A situação piorou com a chegada dos anos 90. Em crise, os clubes foram obrigados as cortar gastos. Os associados passaram a investir em suas próprias residências e, aos poucos, abandonaram o lazer coletivo. Foi o golpe decisivo para o período de ouro do futsal em Londrina.

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