Agência Estado
De Maranello, na Itália
Os números são precisos: na melhor das 89 voltas completadas ontem em Fiorano, Rubens Barrichello fez com a Ferrari 1min01s235, marca considerada excelente para as condições da pista e de temperatura, cerca de quatro graus. ‘‘O carrinho é bem dentro do meu estilo, que beleza’’, afirmou o piloto, eufórico. ‘‘Ninguém me fala nada, mas é possível ver na cara dos mecânicos a surpresa do meu tempo’’, disse. ‘‘Minha confiança numa nova fase da carreira aumentou ainda mais.’’
Apesar do asfalto sujo, em razão de a pista ter ficado um mês sem atividade, da temperatura baixa, que impede de os pneus oferecem melhor aderência, bem como o desconhecimento do piloto com relação ao carro e ao traçado, Rubinho mostrou ontem que pode se dar muito bem na Ferrari.
A sua evolução foi notável. De 1min02s148 na quarta-feira ele pulou para 1min01s235. ‘‘Mexi um pouco no chassi, tentando adaptá-lo ao meu estilo e tudo ficou mais fácil.’’ No total, Rubinho percorreu hoje 264 quilômetros, quase um GP, que tem 305 quilômetros. Quarta-feira ele andou 172 quilômetros. O recorde de Fiorano é de Luca Badoer, com 1min00s881.
No fim da tarde, o diretor-esportivo da equipe, Jean Todt, informado do seu trabalho, foi até o circuito, localizado a menos de um quilômetro da sede da escuderia. ‘‘Ele abriu um baita sorriso’’, disse Rubinho. Por conta dessa busca por mais velocidade, o piloto rodou uma vez e em outra freada acabou seguindo reto, sobre a neve que cobre toda a pista ao lado do asfalto. O ex-piloto da Jordan e da Stewart comentou estar surpreso com o traçado de Fiorano. ‘‘Ele é cheio de truques.’’ Um bom tempo só vem quando o piloto descobre onde tocar nas zebras e como encarar as constantes mudanças na direção do vento’’, explicou.
Ontem Rubinho buscou um pouco mais os limites do modelo F399. ‘‘O carro tem um sistema de direção hidráulica que exige cuidados’’, contou.
‘‘Ao mesmo tempo em que o chassi mostra-se quase neutro nas curvas, por seu equilíbrio, as reações no volante devem ser precisas.’’ Se o piloto for brusco na correção de direção, acaba rodando fácil, explicou. Hoje, último dia de treino, o modelo F399 estará ainda mais personalizado ao seu estilo. ‘‘Tivemos depois do teste outra longa reunião onde sugeri algumas novas mudanças.’’
Visita – E não é que Christian Fittipaldi cumpriu a promessa: ‘‘Disse ao Rubinho que quando ele pusesse a bunda numa Ferrari eu estaria já para prestigiá-lo.’’ De surpresa o piloto da Fórmula Indy desembarcou ontem à tarde na Itália, para acompanhar o trabalho do amigo. Curiosamente os dois, no início de carreira, no kart, crianças ainda, chegaram a trocar acusações pueris. ‘‘A Fórmula 1 está mesmo muito mudada’’, afirmou Christian, ao deparar o carro da Ferrari no circuito de Fiorano.
‘‘A última vez que vi algo referente à F-1, ao vivo, foi quando terminou o GP da Austrália de 1994, o último da temporada’’, lembrou Christian, então na Arrows. ‘‘Eu estava curioso para rever esse mundo.’’ Desde 1995 ele compete na Fórmula Indy. ‘‘O Rubinho vivia me dizendo que eu tinha de assistir a um corrida de F-1 e que só ele vai às provas da Indy’’, disse o piloto da Newman-Haas. ‘‘Agora chegou a minha vez de vê-lo trabalhar, eu estava falando sério que viria acompanhá-lo no primeiro teste com a Ferrari.’’ Christian está na Europa também em razão de ser um dos convidados da corrida de kart programada para amanhã, em Colônia, na Alemanha.
Trata-se de um evento beneficente em que além de Christian e Rubinho vários pilotos irão participar, dentre eles Michael Schumacher.

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