Curitiba - Nestes poucos dias que antecedem o início da Olimpíada de Pequim, Thiago Pereira, 22 anos, está em todos os lugares: em propagandas, programas de TV, revistas, jornais. Poucas vezes um atleta brasileiro chegou a uma edição dos Jogos Olímpicos cercado de tanta expectativa.
Culpa dos ótimos resultados que Pereira obteve nos últimos anos: as oito medalhas (seis ouros, uma prata e um bronze) nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007; os oito ouros nas etapas da Copa do Mundo de Natação em piscina curta no ano passado; o título de campeão mundial em piscina curta dos 200m medley, em Indianápolis-2004.
A cobrança por pódio em Pequim está bem acima da atenção dispensada a Pereira quando ele estreou em Olimpíadas, há quatro anos. Mesmo assim, ele garante que a ansiedade é menor.
''Em 2004, na Olimpíada de Atenas, eu fiquei muito ansioso, até porque tudo aconteceu muito rápido. Em 2002, eu tinha ido para o Minas Tênis Clube, que defendo até hoje. Naquela época, para você ter uma idéia, não tinha índice para um Campeonato Brasileiro Absoluto, uma medalha de Campeonato Brasileiro Absoluto. E de repente, dois anos depois, eu estava ali, dentro de uma Olimpíada, cotado para ser vice-campeão olímpico pela Revista Sports Illustrated. Então tive meu nervosismo, eu era bem novo, tinha apenas 18 anos. Mas valeu como primeira experiência um quinto lugar (nos 200m medley), chegar à final olímpica foi fundamental. Hoje, com certeza, estou bem mais tranquilo'', destaca.
Quem torcia por uma chuva de medalhas em Pequim semelhante à conquistada por Pereira no Pan do Rio foi surpreendido com a notícia de que o nadador participaria de apenas três provas. ''Eu consegui seis índices olímpicos (200m e 400m medley; 100m e 200m costas; 200m livre e 200m peito), mas resolvi priorizar só as provas do medley, porque o desgaste seria enorme. Além disso, muitas provas coincidiam no calendário. Em Pequim, vou nadar os 200m medley, minha especialidade, os 400m medley e o revezamento 4x200m livre'', justifica.
As pedras no caminho de Pereira têm nomes famosos. ''Além do Michael Phelps, tem o Ryan Lochte, também americano, que foi o grande nome da seletiva norte-americana, quase venceu o Phelps nos 400m medley e ficou bem perto nos 200m medley. Não será nada fácil ficar entre os três primeiros na Olimpíada nessas duas provas (200m medley e 400m medley). Mas é o que eu sempre digo, numa Olimpíada, muita coisa pode acontecer. Tempo no papel, no balizamento, não ganha prova. Temos de cair na água, nadar as eliminatórias, e ir para a final e só lá pensar em ficar entre os três primeiros. Estou bem tranquilo em relação a isso. O pódio só vai ser decidido na hora, apesar dos grandes resultados que o Phelps e o Lochte tiveram na seletiva. Além deles, tem o húngaro Laszlo Cseh, que foi bem na Europa. Mas eles vão ter de repetir tudo de novo ou até melhorar se quiserem uma medalha olímpica'', salienta.

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