A notícia é velha. Gilberto Pereira será o técnico do Londrina na Série D do Campeonato Brasileiro. Isso todos já sabem há pelo menos duas semanas, entretanto, a informação deve ser oficializada somente hoje, no mais tardar amanhã. No próximo dia 9, ele completa 44 anos e deve ganhar de presente de aniversário uma nova chance no Tubarão.
O martelo será batido hoje à noite, quando ele se reunirá com o presidente do Londrina, Peter Silva, e da SM Sports, Sérgio Malucelli, que será colaboradora do Tubarão no segundo semestre. Na reunião, serão definidos os últimos detalhes para a assinatura do contrato.
Pereira nunca escondeu que um de seus sonhos é poder voltar ao Londrina e terminar o trabalho que começou em 2007 e foi interrompido na época sem muitas explicações. Porém, precisa de garantias de que terá tranquilidade para trabalhar.
A situação do clube este ano é de deixar qualquer um preocupado. O Londrina foi rebaixado no Estadual, ficou quase três meses sem pagar seus funcionários e, por enquanto, não tem perspectivas de melhoria nas contas até o fim do ano. Impossível manter um time focado na disputa sem estar com os pagamentos em dia.
Outra preocupação do treinador é com relação ao projeto do clube. Ele quer garantias de que terá objetivos a longo prazo para poder implantar sua filosofia de trabalho. ''Está tudo bem adiantado, mas tem coisinhas para serem acertadas ainda, como por exemplo, o projeto. Ir para o Londrina para ficar dois meses é ruim'', disse, sem dar muitos detalhes das pendências.
O treinador foi terceiro colocado da Taça São Paulo com o Iraty, foi vice-campeão estadual com a finada Adap, trabalhou no Palmeiras B, fez estágio no Real Madrid, quando Vanderlei Luxemburgo estava por lá, e teve sua grande chance de alavancar a carreira em 2007, quando assumiu o Coritiba. Porém, ficou apenas um mês no Alto da Glória. Não aceitou ingerências da diretoria em seu trabalho e foi demitido.
No mesmo ano, assumiu o Londrina na Copa Paraná em substituição a Dirceu Mattos, que havia caído porque não queria escalar os jogadores preferidos pela direção na época. Pereira conquistou o primeiro turno da Copa Paraná, mas caiu logo em seguida pelos mesmos motivos de seu antecessor. A diferença é que foi ele quem pediu para sair. ''Saí mais por vaidade extracampo do que por minha culpa'', afirmou, sem dar detalhes do episódio.
A amizade do treinador com Sérgio Malucelli também foi decisiva para o retorno de Pereira ao Tubarão. Ontem, o técnico passou o dia em Curitiba. Almoçou com o presidente da SM, discutiu como poderia ser o trabalho no Londrina, opinou sobre jogadores do Iraty que vão ser emprestados ao Tubarão.
Mesmo sem acertar, ele já tem o discurso alviceleste. Discurso esse bem otimista em relação às pretensões do clube para a Série D. ''Sou uma pessoa muito otimista e não entro em nada para perder. Um exemplo foi o Nacional. Vocês (jornalistas) mesmos apontavam o time como candidato ao rebaixamento e fizemos essa campanha. Eu sonho alto'', projetou. Com um time modesto, Gilberto levou o Nacional à quarta colocação no Paranaense.
Os jogadores remanescentes do time que foi rebaixado se reapresentam hoje, às 15 horas, quando será dada a largada na preparação para a Série D. O torneio começa exatamente daqui a dois meses.
Peter Silva, que ontem não atendeu ao celular, teria tentado um empréstimo de jogadores do Nacional a custo zero, nos mesmos moldes dos disponibilizados pela SM. ''Hoje não temos condições de emprestar dez jogadores para o Londrina e pagar os salários. Estamos avaliando o que dá para ser feito'', disse Persius Sampaio, um dos sócios da Royal Players, empresa que comanda o NAC.

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