Santos - O Santos procura explicações para os seguidos resultados negativos que o colocaram entre os candidatos ao rebaixamento à Serie B do Campeonato Brasileiro e não encontra. Mas nem é preciso se esforçar para identificar um dos motivos: o baixo índice de aproveitamento na cobrança de pênaltis, síndrome que o persegue, e cria sérios problemas desde o ano passado.
Em menos de um mês foram desperdiçados dois, que poderiam ter mudado a colocação santista na tabela de classificação: a defesa de Felipe na cobrança com cavadinha de Elano, quando o Santos ganhava por 3 a 2 do Flamengo, e o de Borges diante do Coritiba, quando o resultado parcial era de 2 a 2. A equipe poderia ter, pelo menos, empatado por 5 a 5 com o Flamengo e por 3 a 3 com o Coritiba, somaria mais dois pontos, chegando aos 17 e seria o 15.º colocado.
''Borges não foi o responsável pela derrota. Ele fez os dois gols, é batedor oficial de pênaltis e perder acontece. Borges não tem se culpar. É artilheiro. Isso só aconteceu porque a fase é ruim'', disse o técnico Muricy Ramalho, saindo em defesa do atacante. Quando chegou ao clube, ele determinou que Elano, Neymar e Borges seriam os encarregados de bater pênaltis. ''Na hora cobra o que estiver mais confiante no momento'', explicou o treinador.
No histórico jogo contra o Flamengo, o Santos ganhava por 3 a 2 depois de ter estar em vantagem por 3 a 0. Como Elano vinha da grotesca cobrança contra o Paraguai, na decisão das quartas de final da Copa América, ele mandou a ordem, através de Pará, para que Borges cobrasse. Mas de nada adiantou. Elano se antecipou, pegou a bola e voltou a errar feio ao tentar converter o pênalti batendo com cavadinha.
Se Borges cobrasse e convertesse, o Santos abriria dois gols de vantagem e dificilmente permitiria a vitória do Flamengo. Elano saiu de campo sob vaias, pediu desculpas e até ameaçou deixar o clube se voltasse a ser hostilizado pelo torcedor. O meia disse que psicologicamente estava bem e não relacionou o erro aos seus problemas pessoais - o fim do relacionamento com a atriz Nívea Stelmann e a ameaça de sequestro que o seu pai sofreu, em Iracemápolis (SP). ''Errei porque na hora resolvi cobrar diferente do que sempre fiz. Mas sou bastante homem para assumir a responsabilidade''.
No Campeonato Brasileiro, Santos teve quatro gols a favor e o seu aproveitamento foi de 50%. Borges converteu um contra o Atlético Mineiro (vitória por 2 a 1) e perdeu outro diante do Coritiba; Keirrison converteu contra o Internacional (1 a 1) e Elano errou contra o Flamengo. ''Para mim não tem que mudar. Os cobradores tem que continuar sendo Ney (Neymar), Elano e Borges'', disse o lateral-esquerdo Léo, nesta quinta.

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