Discreto e humilde, o técnico Percy Oncken, 45 anos, que mora em Londrina desde os 18, segue sem muito alarde sua caminhada de sucesso cada vez maior nas seleções brasileiras de base de vôlei masculino. No mês passado, em mais um Campeonato Sul-Americano em que esteve como técnico da equipe, em Manaus, Oncken somou o 15º título internacional de sua carreira (o primeiro como treinador do juvenil). Antes, havia ganho oito sul-americanos e seis mundiais, todos com a seleção infanto, chamada Sub-19, que conta com jogadores de 16 a 18 anos.
Depois de trabalhar de 1991 a 2005 com as equipes infanto, Oncken foi chamado este ano pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) para treinar o juvenil (Sub-21), com o qual venceu de forma invicta o Sul-Americano. Após um 3 a 2 apertado sobre a Argentina, na estréia, o Brasil conquistou quatro vitórias fáceis sobre Venezuela, Guiana, Colômbia e Chile, todas elas por 3 sets a 0.
O treinador explica que passou pela primeira vez à categoria juvenil porque a CBV agora quer que a mesma comissão técnica permaneça com os atletas durante todo o ciclo em que ficam na seleção, dos 16 aos 20 anos. ''É um ciclo de quatro anos com o mesmo grupo, assim como já vinha sendo feito com as seleções femininas. Desta forma, fica mais fácil aproveitar o potencial dos atletas e desenvolvê-los, uma vez que os conheço desde o infanto e vamos lapidá-los quando passarem pelo juvenil'', comentou Oncken.
Ele lembrou, porém, que quando terminar o ciclo com esse grupo juvenil, após o Mundial de 2007, voltará à categoria infanto em 2008 para recomeçar o trabalho com novos garotos. ''Ficando mais tempo com a mesma comissão técnica, eles assimilam melhor a filosofia e se adaptam mais facilmente a cada vez que são convocados'', acrescentou.
Os atletas ficam em média quatro meses por ano treinando e competindo pela seleção. O principal local de treinamento é o Centro de Desenvolvimento em Vôlei da CBV, em Saquarema (RJ).
Estatura e maturidade - De acordo com o treinador, que se divide entre a seleção brasileira e o trabalho na Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde é professor do curso de Educação Física desde 1986, em anos de Sul-Americano os jogadores fazem em média 25 partidas preparatórias. Quando a preparação é para um Mundial o número sobre para 40 jogos. ''Como ficam muito tempo com a seleção, todos chegam a um alto nível antes de chegarem ao adulto'', destacou.
Oncken lembra que todos os juvenis que disputaram o último Sul-Americano disputarão como titulares a Superliga Masculina 2006/07, que inicia em dezembro. O forte das novas seleções infanto e juvenil que têm passado pelas suas mãos é a estatura - a média de altura vai de 1m90 a 1m99. ''Porém, como são garotos, ainda apresentam nesta faixa etária bastante instabilidade técnica. Nosso trabalho é passar maturidade a eles''.
O técnico só lamenta que essa precocidade esteja chamando muito a atenção dos clubes estrangeiros e fazendo com que as novas promessas passem a jogar no exterior. ''É absurda a exportação de jogadores, o que enfraquece a nossa Superliga. Hoje são mais de 300 brasileiros atuando fora do País e por todos os cantos'', informou. Há desde os que estão na Itália e no Japão - os principais mercados -, outros que jogam em países emergentes, como Turquia e Grécia, e aqueles que buscam oportunidades em Portugal, Espanha, Israel e Irã, onde o nível é mais baixo.

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