Final da tarde de ontem, Moringão, treino do time infantil feminino do Londrina Vôlei Clube. Aos olhos das garotas, que um dia sonham em figurar na seleção brasileira, o homem a quem todos os funcionários do local cumprimentavam com imensa satisfação era apenas um ilustre desconhecido. Porém, poucas delas sabiam que Percy Oncken é o técnico da seleção brasileira infanto-juvenil masculina, que garantiu no domingo o hexacampeonato mundial da categoria.
Por coincidência, a seleção de Oncken conquistou o título no mesmo dia em que a trupe comandada por Bernardinho bateu Sérvia e Montenegro e trouxe o inédito tricampeonato para o Brasil. ''Foi uma vitória importante e com uma campanha curiosa. Assim como o time adulto, vencemos a Rússia e a Tchecoslováquia até chegar a final'', destaca Oncken, que voltou na noite da quarta-feira da Tailândia, onde aconteceu o mundial infanto-juvenil.
Mas essa 'conexão' com o time adulto não pára por aí. Oncken treina a seleção infanto-juvenil desde 1993 e, desde então, muitos dos consagrados jogadores da equipe adulta foram atletas na sua categoria. Ricardinho, Gustavo, Giba, André Nascimento, André Heller, Rodrigão e Dante são apenas alguns dos que já estiveram sob seu comando. ''Uso da experiência de oito mundiais para detectar atletas com o perfil de competição de nível. Eles tem que ser basicamente altos, velozes e com boa capacidade de salto'', explica o técnico.
Oncken, natural de Umuarama, começou a atuar no vôlei de Londrina em 1980, quando chegou para estudar na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Após uma rápida passagem em clubes de sua cidade natal, o técnico, apaixonado por Londrina, decidiu voltar para treinar no Canadá Country Club, clube em que permaneceu de 1983 a 1996. ''Depois tive uma boa participação com o time feminino de vôlei do Grêmio na Superliga, em que conquistamos a oitava posição, a melhor colocação londrinense na competição'', recorda.
O técnico já está na comissão técnica da seleção brasileira infanto-juvenil desde 1991, quando começou a trabalhar como assistente-técnico. Diferente do que costuma ser, Oncken não demonstra muita ansiedade com a possibilidade de um dia poder substituir Bernardinho no comando da equipe adulta. ''Todo mundo tem a ambição de estar com a seleção principal mas prefiro trabalhar bem no local em que estou sem pensar nisso'', afirma.
O técnico costuma dedicar anualmente quase um semestre para preparar a seleção infanto-juvenil para os mundiais. Agora, com a tarefa cumprida, Oncken retoma as aulas na UEL, onde leciona no curso de Educação Física até o final do ano. Depois disso, ele analisa a possibilidade de trabalhar no exterior. Entretanto, não esconde a vontade de ficar. ''Tenho um projeto com a seleção e preciso estudar o que vou fazer. Atualmente o vôlei brasileiro está permitindo espaços para o crescimento e meu sonho é trabalhar em Londrina com equipes competitivas'', revela.

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