Campeonato Estadual sem as equipes da Grande Curitiba não atrai a Rede Paranaense de Comunicação, que patrocinou as duas últimas edições. Times do interior não aceitam rescisão do atual contrato, que expira apenas em 2004
Curitiba - Os clubes paranaenses que irão disputar o Campeonato Estadual podem ficar sem as cotas da televisão. O pivô da provável crise é a participação dos clubes da capital na Copa Regional Sul-Minas, o que esvaziaria o torneio do Estado.
Nesse caso, o contrato com duração até 2003 seria rompido em detrimento das transmissões dos jogos da Copa Regional. Esse espaço, no entanto, pode ser ocupado pela Rede Independência de Comunicação (RIC), retransmissora da Rede Record no Estado, que assumiria a transmissão do campeonato. A emissora não confirmou a estratégia.
A crise pode ser instaurada hoje à tarde, durante a reunião do Conselho Arbitral na sede da Federação Paranaense de Futebol (FPF) para definir a fórmula do campeonato.
Se for confirmada a retirada da RPC do torneio, os clubes do interior devem perder aproximadamente R$ 150 mil, valor distribuído para cada time na temporada passada.
O diretor-adjunto comercial da RPC TV, Paulo Roberto Malkiolke, foi cauteloso e não quis antecipar a decisão a ser tomada pela rede, que é afiliada da Rede Globo. ‘‘Vamos esperar a reunião dos clubes antes de oficializar qualquer decisão’’, disse o diretor.
Mesmo fora do Grupo do Nove (que congrega os clubes do interior), o Londrina assumiu posição de liderança e articulou uma reunião preliminar com todos os participantes do arbitral. A idéia é levar uma posição de consenso para os representantes da TV.
O Londrina aposta em uma representação de peso na reunião de hoje. Além do presidente eleito, Osvaldo Sestário Filho, estarão na federação o ex-presidente Agostinho Garrote e o diretor de marketing, Peter Silva. O trio deve defender o cumprimento do contrato com a RPC, mesmo com a ausência do trio-de-ferro. ‘‘É uma receita importante para os clubes e vamos defendê-la até o fim’’, afirmou o diretor de marketing.
Na Portuguesa Londrinense, a ambição é ainda maior. O presidente do clube, Hélio Camargo, deve pleitear um reajuste nos valores do contrato com base na variação da inflação.
Para o presidente do Rio Branco, Geraldo Taques, o clube não recebeu nenhum comunicado oficial sobre o fim das cotas de televisão. ‘‘Seria uma perda muito grande para todos os clubes, mas precisamos discutir as ações a serem tomadas’’, disse Taques.
Integrante do Grupo dos 9, entidade que reúne as equipes do interior e o Malutrom, o Rio Branco investiu em suas categorias de base para a disputa do torneio. Com teto salarial de R$ 2 mil, a equipe será treinada pelo ex-goleiro Valdir Peres, que defendeu a Seleção Brasileira. (Colaborou Lúcio Flávio Moura)

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