Pequenos atletas fizeram bonito na São Silvestrinha
Janaina Tupan Frare
De Curitiba
Especial para a Folha
Entre os 2.900 atletas mirins que participaram da sexta edição da corrida São Silvestrinha, no último domingo, 20 eram paranaenses e três deles subiram ao pódio. O curitibano Cristiano Pinheiro, 11 anos, ficou em primeiro lugar na categoria de 10 a 11 anos. Ele percorreu 400 metros com o tempo de 1min03s. Pra mim foi uma grande surpresa. Estava treinando há dois anos para ter um bom resultado, mas não esperava que fosse já, explica Cristiano. Quanto ao futuro, apenas diz: Quero ser um bom corredor.
Outra representante da mesma categoria, Iolanda Michele César, 11, ficou em segundo lugar. Mateus Trindade, 15, também chegou em segundo, mas a sua categoria exigia um percurso um pouco maior. Foi necessário correr 1.000 metros para garantir o seu lugar no pódio.
Apesar da distância entre os metros da São Silvestrinha e os 15 quilômetros da São Silvestre oficial, os pequenos atletas já pensam no futuro. Este foi o meu último ano na Silvestrinha. No ano que vem já quero participar da São Silvestre e também já sonho com as Olimpíadas, diz Mateus, que já acumula títulos, entre eles o de campeão paranaense, nos 1.000 metros; e campeão catarinense nos 3.000 metros. Iolanda Michele, também já surpreende. Campeã paranaense nos 750 metros e recordista dos 1.000 metros dos Jogos Pré-Mirins de Curitiba, a atleta sonha em chegar ainda mais longe. Vou até aonde o atletismo me levar.
Ao contrário do que se pensa, a 6ª São Silvestrinha não tinha como participantes somente atletas experientes. Levada a sério pela garotada, a prova foi como um evento profissional para os pequenos amantes do atletismo. Jéssica Ferreira, de apenas oito anos, também esteve presente e correu, sem parar, os 400 metros da prova. A colocação certa, ela ainda não sabe, mas sabe que chegou ao final. O importante é terminar a prova, diz Jéssica, que garante: No próximo ano estarei lá novamente.
Rapadura e geléia de mocotó As 20 crianças que foram a São Paulo no último final de semana, para participar da São Silvestrinha, tiveram que vender muita rapadura e geléia de mocotó durante as corridas. Foi com esse dinheiro e mais a rifa de 15 cestas básicas doadas pelo Supermercado Kusma, de Curitiba, que as crianças conseguiram fretar um ônibus, que as levasse para a capital paulista. E só conseguiram graças ao trabalho voluntário realizado pelo estudante do 2º ano de educação física, Glaílson Gonçalves Santana, que divide seu tempo entre o trabalho como segurança de um supermercado, a faculdade e o treinamento das crianças. A recompensa está em olhar o rostinho alegre de cada um, diz ele.
Confusão Para uns motivo de comemoração, para outros, de indignação. O atleta curitibano, Willian Rodrigo da Silva, 14 anos, voltou da 6ª São Silvestrinha, sem saber ao certo o que aconteceu nas ruas de São Paulo. Vencedor da sua categoria em 96, voltou à capital paulista para buscar mais uma vez o título, mas, por uma confusão da organização, voltou com o prêmio de quarto lugar, após fazer o mesmo tempo do primeiro (2min56). O problema vai ainda mais além. Com o tempo de primeiro colocado e o prêmio de quarto, a listagem divulgada com o resultado oficial, mostra o paranaense em terceiro lugar. Sem entender muito bem, o pai do atleta, ligou para a Comissão Organizadora que simplesmente deixou uma pergunta no ar: o que responder?





