Agência Estado
De São Paulo
O piloto australiano Michael Doohan, pentacampeão mundial de motovelocidade nas 500 cc, anunciou ontem que não voltará a correr. Sua decisão foi tomada em decorrência da dificuldade de recuperação após o acidente que sofreu no GP da Espanha, em 7 de maio, no circuito de Jerez de la Frontera. ‘‘Eu esperava poder seguir minha carreira, mas, lamentavelmente, não será possível’’, declarou Doohan. Ele passou por três cirurgias e um intenso programa de recuperação desde o acidente.
Doohan ficou com o título das 500 cc de 1994 a 98 e soma 54 vitórias – marca só superada pelo italiano Giacomo Agostini, com oito títulos e 68 vitórias entre as décadas de 50 e 60 –, 58 poles e 95 colocações entre os três primeiros.
Sua ‘‘aposentadoria’’, aos 34 anos, põe fim à sequência de grandes campeões anglo-saxões que dominaram a categoria desde meados dos anos setenta. O piloto de Brisbane sucede o inglês Barry Sheene (2 títulos), e os norte-americanos Kenny Roberts (3 títulos), Freddie Spencer (2 títulos), Eddie Lawson (4 títulos), Wayne Rainey (3 títulos) e Kevin Schwantz (1 título).
O piloto explicou que, além das fraturas na perna e ombro direitos e no pulso esquerdo, o acidente também afetou tecidos e nervos, o que complicou sua recuperação. ‘‘Foi isso que pôs fim à minha carreira: problemas neurológicos que representam a perda permanente de força e de algumas funções do meu braço esquerdo’’ revelou. ‘‘A perna direita está melhorando muito, mas também pode haver danos irreparáveis nos tecidos.’’
Doohan, um dos melhores pilotos do século, disse que pára satisfeito com o que conseguiu no motociclismo. ‘‘Jamais imaginei que ganharia mais de 50 GPs e cinco títulos mundiais’’, disse. ‘‘Sinto-me muito feliz por ter conseguido tudo isso.’’

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