'Pensaram que tinha morrido'
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quarta-feira, 02 de agosto de 2000
Marcos Freitas De Curitiba 
O alpinista paranaense Waldemar Niclevicz voltou a fazer contato com os familiares ontem, quando contou momentos dramáticos por que passou na conquista do K2 a montanha da morte, de 8.611 metros, no norte do Paquistão. Fiquei dormindo em uma caverna de gelo no cume da montanha e, quando desci ao acampamento, meus companheiros (Abele Blanc e Marco Camandona) choraram ao me ver, pois pensavam que eu tinha morrido, disse o alpinista a seu pai, Mariano Niclevicz.
A mãe de Niclevicz, Dona Filomena, disse que o filho está com saudades da comida caseira. Prepare o frango com polenta que no final do mês eu chego, disse ele. Dona Filomena contou que Niclevicz gosta muito de comer doces e o predileto é o bolo com recheio de côco e chocolate.
A preocupação da família agora é com a saúde do alpinista. Ele está com uma forte tosse, também tem a mão esquerda congelada e ainda não consegue enxergar com o olho esquerdo, que está um pouco turvo, relata Roque Nicleviz, irmão de Waldemar. Roque disse ainda que Waldemar só irá conseguir recursos médicos quando chegar na Itália. No Paquistão, as coisas não são fáceis. E ele já conversou com os médicos italianos, que estão dando instruções para que ele possa melhorar.
O grande problema da expedição está por conta da saúde do italiano Marco Camandona, que tem a mão esquerda congelada e corre o riso de ter que amputar os dedos. O Marco já nem sente mais os dedos e tememos que eles estejam necrosados, contou Waldemar, lembrando que por muitas vezes pensou que não conseguiria voltar ao acampamento-base. Acima dos 8 mil metros só existe 30% do ar existente no nível do mar, há estudos que uma pessoa só consegue suportar 40 horas nessas condições, mas como eu estava cansado demais tive que permanecer no cume da montanha e quase não consegui voltar, disse, lembrando que teve que se esconder sob uma caverna de gelo para proteger das fortes tempestades de neve na região.
Niclevicz já começou a desmontar o acampamento-base. Amanhã ou sábado eles começam a caminhada de 110 quilômetros de volta rumo à base da montanha. Do Paquistão ele vai para a Itália, onde amigos alpinistas preparam uma festa para Niclevicz.


