Kaiserslautern - Dizem que vingança é prato que se come frio e temperado com ressentimento. Deve ter sido este o sabor que os italianos sentiram ontem, ao baterem a Austrália por 1 a 0, gol de Totti, de pênalti, aos 50 minutos do segundo tempo, indo às quartas-de-final.
Há quatro anos, no Mundial da Coréia do Sul/Japão, a Azzurra foi eliminada pela Coréia do Sul, treinada por Guus Hiddink, atual treinador da Austrália. Naquele jogo, em Daejeon, Coréia do Sul, os italianos foram eliminados pelos sul-coreanos por 2 a 1 no gol de ouro (quem marcasse primeiro na prorrogação venceria).
Na ocasião, o árbitro equatoriano Byron Moreno expulsara Totti, considerando que ele simulara um pênalti, e anulara gol de Tommaso. No fim da prorrogação, Coréia 2 a 1.
Ontem, também sobrou drama. A dez segundos do fim, nos acréscimos, no segundo tempo, o lateral Grosso arrancou, driblou Bresciano e o líbero Neill, que entrara de carrinho sem atingir nem bola nem adversário. O italiano tropeçou, e o juiz espanhol Medina Cantalejo marcou pênalti. Totti bateu e virou herói: 1 a 0.
Talvez a Azzurra tenha merecido a vitória. Não só por ter ficado com um a menos desde os 5 do segundo tempo, quando Materazzi foi expulso. Mas por ter pressionado na primeira etapa. Aos 3 minutos, Toni cabeceou para fora, e aos 20, passou para Gilardino chutar. O goleiro Schwarzer pôs a escanteio. Dois minutos depois, o perigo maior: Toni chutou, mas Scwarzer, já caído, salvou com o pé. Aos 34, Toni cabeceou para fora. Aos 30, o zagueiro Chipperfield, da retrancada Austrália, chutou para a defesa de Buffon.
Para os italianos, o drama se tornou maior no segundo tempo. Materazzi fez falta em Bresciano, aos 5. A maioria dos árbitros lhe daria cartão amarelo. Sem hesitar, o juiz o expulsou. Diante do rival com um a menos, a Austrália passou Neill da defesa para o meio-campo, tentando pressionar. Na Itália, o técnico Marcello Lippi trocou o atacante Toni pelo zagueiro Barzagli, para recompor a defesa.
Se os australianos tinham mais posse de bola, faltava talento nas finalizações. Mesmo assim, aos 13, Chipperfield chutou, mas Buffon defendeu. A Itália, mais talentosa porém com um a menos, se defendia.
A dez minutos do fim, Lippi fez entrar Totti titular que ontem começara no banco em lugar de Del Piero. O jogo se arrastava para a prorrogação. Mas, aos 49, o juiz marcou o pênalti em Grosso.


ITÁLIA
Buffon; Zambrotta, Materazzi, Cannavaro e Fabio Grosso; Perrotta, Pirlo, Gattuso e Del Piero (Totti); Toni (Barzagli) e Gilardino (Iaquinta).
Técnico: Marcello Lippi

AUSTRÁLIA
Schwarzer; Bresciano, Neill, Moore e Chipperfield; Grella, Culina, Cahill e Sterjovski (Aloisi) e Wilkshire; Viduka.
Técnico: Guus Hiddink

Árbitro: Luis Medina Cantalejo (ESP)
Estádio: Fritz-Walter Stadion, em Kaiserslautern
Gol: Totti, aos 50 minutos do 2º tempo
Expulsão: Materazzi

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