Pena volta a ser a esperança palmeirense
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2000
Por Dinoel Marcos de Abreu 
São Paulo, 24 (AE) - Os dois gols que Pena marcou no empate do Palmeiras contra o Vasco por 3 a 3, domingo em São Januário, na primeira rodada do Torneio Rio-São Paulo, podem ajudar o atacante a começar uma nova carreira aos 25 anos. Depois de ter sido vítima da exploração de empresários e de maus dirigentes, o atacante, que em 1998 ficou sete meses sem jogar, quer esquecer o passado e dar a volta por cima no Alviverde. Pena deverá ser uma das armas do técnico Luiz Felipe Scolari para o clássico contra o Corinthians, quinta-feira, no Pacaembu.
"Já sofri muito no futebol, e até hoje não sei quem é o dono da metade do meu passe", disse hoje o atacante, enquanto ainda vivia a euforia de ter atuado domingo pela primeira vez no Rio. O jogador explicou que 50% é de um empresário estrangeiro, cujo representante no Brasil é o gaúcho Jorge Machado, 25% é do Palmeiras e a outra parte é da Parmalat, patrocinadora do clube paulista. "Mas podem ter certeza que logo esse empresário vai aparecer."
Pena começou a carreira no Serrano, da Bahia, em 1992. Depois, em 94 foi para o outro baiano, o Vitória da Conquista. Sua situação começou a complicar-se em 92, quando transferiu-se para o Rio Branco, de Americana. Virou um cigano do futebol. Dois anos depois atuou no Paraguaçuense, e, na mesma temporada, teve uma experiência de dois meses no Grasshopper, da Suíça, e terminou o ano no Ceará, que comprou o seu passe do Rio Branco.
"Mas eu não recebi nada da transferência, por isso entrei com uma ação na justiça desportiva para desfazer a negociação", disse o atacante. "O problema se arrastou por uns sete meses, até eu voltar novamente para o Rio Branco, que rasgou o contrato da venda do meu passe para o Ceará." O atacante disse que até sua transferência do clube de Americana para o Palmeiras, no segundo semestre do ano passado, também foi complicada.
"Na época disseram que meu passe iria ser vendido para o Palmeiras por US$ 700 mil, mas, depois anunciaram que eu saí por R$ 700 mil, e nesse caso perdi dinheiro com os 15% da transferência", disse Pena. "Meu empresário (o ex-jogador Bernardo) até queria comprar meu passe por R$ 700 mil, mas o pessoal do Rio Branco disse que já estava tudo acertado com o Palmeiras."
A vida de Pena começou a melhorar depois que ele conheceu seu atual empresário, e tem recebido muito apoio do técnico Luiz Felipe Scolari. Foi o treinador quem convenceu o atacante a renovar seu contrato, nas vésperas do jogo contra o Vasco. "Posso não ter feito o contrato do jeito que eu queria, mas o treinador me deu conselhos de pai para filho, me mostrando que eu posso ser muito feliz neste ano no Parque Antártica."
Pena quer repetir quinta-feira o sucesso da goleada do Palmeiras sobre o Corinthians por 4 a 1 no ano passado. Naquele jogo, Pena, que havia recém-chegado ao Alviverde foi a surpresa que Scolari reservou para a partida. Ele entrou para marcar Rincón. "Foi uma grande partida do Palmeiras, e podem ter certeza que a torcida não vai ver ninguém da equipe acomodado em campo." Scolari não pretende fazer alteração na escalação em relação ao time que começou a partida contra o Vasco. Arce e Jackson continuam machucados. O treinador continua esperando a contratação de pelo menos mais três reforços ainda para o Torneio Rio-São Paulo.


