Uma análise contábil, iniciada em 1998, feita pelo perito Paulo Lobo, em decorrência de uma ação trabalhista, constatou indícios de sonegação fiscal na prestação de contas da Pelé Sports & Marketing, de propriedade do ex-jogador Pelé e de Hélio Vianna, cujo sigilo bancário foi quebrado pela CPI da CBF/Nike. A empresa teria ocultado de sua contabilidade lucros obtidos com contratos com emissoras de televisão e promoção de eventos. Se forem comprovadas as irregularidades, a reputação de Pelé pode ficar comprometida, pois o ex-jogador acabou de fechar um acordo com a CBF e o Ministério dos Esportes, que abafou os trabalhos da CPI.
O perito Paulo Lobo analisou as contas da empresa em decorrência da ação trabalhista movida por Roberto Seabra, ex-diretor de projetos da Pelé Sport & Marketing. Ao receber o resultado da perícia, o juiz Leonardo Dias Borges entrou com uma denúncia crime, que foi aceita pela Procuradoria Geral do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que vem investigando o caso.
No total, Seabra move três ações cíveis e uma trabalhista com a empresa. ‘‘Ao analisar a prestação de contas da empresa, a perícia encontrou indícios de havia caixa dois’’, lembrou Seabra. De 1991 a 1996, o empresário foi funcionário da empresa, com direito a receber 10% do valor dos contratos da empresa. Quando saiu da Pelé Sports & Marketing, ele acertou com Vianna que continuaria a receber 50% dos contratos que tinha levado para a empresa. O dinheiro a que teria direito só foi recebido em 1996 e parte do ano de 1997.
A CPI do Futebol fará uma devassa nas empresas do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Nos requerimentos propondo a medida, a comissão explica que um dos motivos das investigações é o de checar porque esses empreendimentos, aparentemente bem sucedidos, não proporcionam ‘‘rendimentos importantes’’ ao dirigente, como demonstra sua declaração de renda.

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