Curitiba - O Rei do Futebol esteve em Curitiba ontem para anunciar a cessão beneficente da marca que leva seu nome, Pelé, para a nova sede de pesquisas em saúde da criança e adolescente do Instituto Pequeno Príncipe (IPP). Edson Arantes do Nascimento falou sobre a parceria, a realização de um sonho, e claro, de esporte: seleção brasileira, Ronaldinho Gaúcho, Copa do Mundo, racismo no futebol, entre outras coisas.
  A iniciativa nasceu quando Pelé conheceu um dos membros do instituto de pesquisas em Los Angeles, no ano passado. Desde então, a vontade de ajudar crianças, um sonho alimentado antes mesmo do ex-jogador marcar seu milésimo gol, começou a virar realidade em setembro de 2005, quando o Rei do Futebol esteve em Curitiba para conhecer o projeto.
  ‘‘Antes do milésimo gol eu tinha feito um filme com o Lima Duarte, ‘Os Trombadinhas’, que, naquela época, chamava a atenção sobre os delinqüentes em São Paulo. Como pai, sempre fiz o possível e o impossível para mudar essa situação. Vocês sabem que o Edinho (filho de Pelé) se envolveu com uns amigos dele de Santos e hoje está detido, mesmo com toda essa proteção e todo esse trabalho. Então, temos que ajudar’’, disse o ex-camisa 10 da seleção.
  Em seguida, Pelé começou a falar sobre futebol. Ele respondeu a respeito da recente comparação feita por Cafu, que colocou Ronaldinho Gaúcho no mesmo patamar que ele e Maradona. ‘‘Acho que o Cafu quis dizer é que ele (Ronaldinho Gaúcho) está numa fase muito boa, foi considerado o melhor jogador do mundo e que ele poderia ser um jogador igual ao Pelé. O Cafu nunca teve a intenção de dizer que ele é igual o Pelé ou melhor que o Pelé. Acho que ele quiz dizer neste momento. Os grandes representantes do Brasil hoje são Ronaldinho e Kaká.’’
  Pelé mais uma vez lembrou que o favoritismo do Brasil na próxima Copa pode ser prejudicial. ‘‘O Brasil em 82 era a melhor seleção e a Itália desclassificou o Brasil.’’ Sobre a seleção, o ex-jogador admitiu que esse é o melhor grupo desde o tricampeonato de 70, superior até a de 82. ‘‘O Brasil tem quase todos os jogadores do mesmo nível. O Juninho Pernambucano foi cinco vezes campeão na França e é terceiro reserva na seleção’’, exemplificou.
  Curitiba, de acordo com Pelé, seria uma das únicas cidades brasileiras com condições de sediar uma possível Copa do Mundo no Brasil, em 2014. ‘‘É uma das poucas cidades do Brasil que tem um estádio dentro das exigências da Fifa (Kyocera Arena).’’
  Ele espera um Mundial em solo tupiniquim, mas com ressalvas. ‘‘Como brasileiro, acho que não se deve sacrificar um povo para ter uma Copa do Mundo, que é um mês e depois acaba e tudo fica abandonado. Acho que se pudesse fazer como foi feito nos Estados Unidos (em 94), em que as empresas privadas pudessem ajudar a organizar a Copa, como também foi feito no Japão agora, acho que seria bom, porque nós merecemos, faz muitos anos.’’
  Pelé disse não concordar com a visão de que há racismo no futebol. ‘‘Quando não tinha tevê, quantas vezes me chamavam de ‘ô macaco do Brasil’? Jogar na Argentina? ‘Ô negro sujo’. Eles faziam isso para eu dar um pontapé neles e ser expulso. Isso sempre houve. Acabava um jogo e a saíamos juntos pra jantar. Quantos jogos temos no Brasil? Aconteceu só um caso aqui’’, finalizou

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