Brasília- Três horas antes de se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada, no início da última semana, Pelé disse que o governo precisa ser mais ''enérgico'' e ''rápido'' para resolver os problemas de falta de emprego e segurança, que ''assusta''. ''Nós temos altos e baixos. Em alguns setores o Brasil foi bem. Em outros setores, continua igual ou pior, mas o que assusta mais o brasileiro e o que chama mais atenção da gente que viaja muito é o problema da segurança.''
A uma pergunta sobre a atuação do governo, ele disparou. ''É claro que não agrada. Nós estamos com vários problemas de desemprego. Eu achava que, se tivesse melhorado isso, estava agradando a todos.''
Em entrevista para divulgar o documentário Pelé Eterno, o rei do futebol disse que iria perguntar a Lula, no Alvorada, por que o governo petista parou de dar incentivos ao projeto de vilas olímpicas, que estava tirando jovens da criminalidade em áreas pobres.
Ele disse, no entanto, acreditar no sucesso do governo e reclamou que suas declarações públicas saem distorcidas. ''Todas as vezes em que eu dou opinião sobre o governo vocês (jornalistas) fazem uma bagunça, sai uma confusão danada. Mas o que eu, como brasileiro, e acredito que todos nós estamos torcendo, é para que tudo o que o presidente e o PT prometeram consigam fazer'', disse, amenizando as críticas. ''Nós estamos com um ano e meio, dois anos de governo. Quem esteve lá dentro sabe que não é fácil, é difícil de alcançar o que se almeja.''
Ele deixou claro que não pretende ocupar novamente um cargo público. ''Eu já tive uma experiência muito boa'', riu, numa referência à experiência como ministro dos Esportes de Fernando Henrique Cardoso. Pelé lamentou não ter sido incluído no filme uma frase dita por FHC: ''Pelé foi o Brasil que dá certo.''
Gérson Pelé revelou que o ex-jogador Gérson, com quem jogou a Copa de 70, não participou do documentário por exigir muito dinheiro. ''Num telefonema, ele me disse que só iria aparecer por uma certa quantia. Eu disse para ele que era para conversar com o diretor do filme'', contou Pelé. Em outra conversa, Gérson teria dito que exigia tratamento especial pois era ''diferente dos outros''. Então, Pelé teria comentado com ele sobre as dez filhas de Garrincha que aceitaram o acordo com os promotores do documentário. ''Isso é problema de morto'', teria afirmado Gérson.
Em cartaz há duas semanas, Pelé Eterno já foi assistido por 185 mil pessoas. O diretor do filme Aníbal Massaini acha pouco pela importância de Pelé para o futebol. Ele espera uma boa repercussão no exterior e lançar um DVD e uma série para TV para aproveitar o material que não foi incluído nas duas horas de filme.
Para Pelé, um Oscar de melhor documentário não é tão importante. ''O filme já é a maior homenagem que recebi na vida.'' Sem entrar na polêmica sobre o título de rei do futebol, Pelé disse que vai convidar o ex-jogador argentino Diego Maradona para assistir ao documentário na estréia em Buenos Aires.

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