Amsterdã, 08 (AE) - Em um concorrido evento da Mastercard, hoje à tarde, em uma sala de conferências do Amsterdam Arena, pouco antes do treino da seleção brasileira no mesmo local, Pelé, acompanhado do holandês Johan Cruyff, fez críticas a uma espécie de fabricação de mitos no futebol pela mídia. Pelé citou o caso de Ronaldo, da Internazionale de Milão, sempre muito badalado, que, segundo ele, acabou não suportando a responsabilidade de uma decisão da Copa do Mundo, a da França, no ano passado.
"Qualquer atleta que marca um belo gol e começa a jogar bem já é tratado como um ídolo", lembrou Pelé. O atleta do século, no entanto, não condenou Ronaldo por sua carreira agitada. Na verdade, até colocou o jogador na condição de vítima. Pelé ressaltou ainda que representou o futebol de ouro no mundo de 1958 a 1974, quando passou a responsabilidade para Cruyff.
"O Cruyff foi o símbolo do futebol total; hoje, temos um futebol igual e nivelado por baixo." Na nova geração de talentos, Pelé voltou a mencionar o inglês Michael Owen, do Liverpool. Segundo ele, apesar do seu bom futebol, Owen, um atleta bastante jovem, tem sido preservado e pouco exposto pela mídia.
Cruyff, que virou garoto-propaganda da Eurocard, patrocinador da Eurocopa 2000, a ser disputada na Holanda e Bélgica, aproveitou para criticar o atual futebol inglês, segundo ele, limitado aos cruzamentos de David Beckham para a grande área. Beckham atua pelo Manchester United, adversário do Palmeiras na decisão do Mundial Interclubes, em novembro, no Japão.
Vários outros assuntos foram abordados no encontro de Pelé e Cruyff. Eles falaram sobre a crise de talentos no futebol alemão, os clubes milionários da Europa que conseguem reunir várias estrelas mundiais e a possibilidade de realização de uma Copa do Mundo a cada dois anos. Quanto a este último ponto, ambos acreditam que só seria viável com um calendário unificado em todo o mundo.

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