O anteprojeto da Lei Pelé começa a ser discutido hoje pelos parlamentares, quando o ministro extraordinário dos Esportes, Pelé, será ouvido pelos 31 deputados da Comissão Especial da Câmara, responsável pela análise do projeto e suas 127 emendas. ‘‘É a chance que teremos para esclarecer os deputados que ainda desconhecem o projeto’’, comentou o relator Tony Gel (PFL-PE). ‘‘Mas certamente será um debate acalorado.’’
O motivo é a presença garantida dos opositores do projeto, maioria entre os parlamentares da comissão e dispostos a derrubar os principais pontos (extinção da lei do passe, instituição do clube-empresa, formação de ligas). Eurico Miranda (PPB-RJ), por exemplo, acusa o projeto de favorecer amigos de Pelé. ‘‘O Hélio Vianna (assessor do ministro) tem firmas comerciais que negociam com o futebol, por isso seria favorecido com a aprovação’’, disse o deputado, também vice-presidente do Vasco, durante o programa ‘‘Com a Bola Toda’’, da Rede Record, levado ao ar na noite de domingo.
‘‘Essa é a vantagem de termos um debate com o Pelé e tornar públicos diversos aspectos, resolvendo inclusive interpretações falsas que já estão circulando’’, rebateu a deputada Sandra Starling (PT-MG), que figura no bloco favorável à aprovação do projeto. ‘‘Espero explicações sobre diversos pontos, principalmente sobre a transformação dos clubes em empresa.’’ Starling, que é conselheira do Cruzeiro, quer saber o que pode acontecer caso um clube fique ameaçado de falência. ‘‘Haverá algum dispositivo que auxilie os clubes em situações como essa?’’, questiona.
Contrária à manutenção do passe (‘‘Trata-se de algo odioso’’), a deputada petista quer mais detalhes sobre o projeto para se preparar para o debate. ‘‘Para isso, a bancada da oposição terá amanhã (hoje) de manhã uma reunião com os assessores do Pelé para conseguir mais dados’’, comentou. ‘‘Temos de estar preparados para enfrentar os opositores.’’
Ao contrário do relator do projeto e do presidente da Comissão Especial, Germano Rigotto (PMDB-RS), Starling é favorável à manutenção do regime de urgência, que obriga a votação do projeto até 3 de novembro. ‘‘Ou se vota neste ano, ou não vai se votar mais’’, acredita Starling. ‘‘Participei das discussões da Lei Zico e percebi como há interesses para se engavetar projetos que prevêem mudanças no esporte.’’

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