Pelé defende a renovação da CBF
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sexta-feira, 09 de maio de 1997
Agência Estado 
O ministro dos Esportes, Édson Arantes do Nascimento, o Pelé, acredita que só há um meio de modificar o atual quadro do futebol brasileiro: renovar a mentalidade dos dirigentes. Pelé defende a renovação CBF. Mas descarta qualquer possibilidade de ser dirigente. O ministro anunciou também que, até o próximo mês, enviará ao Congresso, com duas alterações, o projeto definitivo sobre a Lei do Passe. Pelé quer também que os clubes se tornem empresas de Sociedade Anônima.
Agência Estado - Como o senhor recebeu as denúncias feitas contra o ex-presidente do Conselho de Arbitragem da CBF, Ivens Mendes?
Pelé - Há muitos anos eu denunciava irregularidades na CBF. Cheguei a ser processado por isso, e não me levaram a sério. Quem perde com esses atos é o torcedor, que é obrigado a assistir pela televisão e ler nos jornais baixarias deste tipo. Vou me empenhar ao máximo para ajudar a punir os culpados.
AE - Mas este fato envolvendo o Ivens Mendes não é o primeiro. Recentemente, houve episódios lamentáveis envolvendo arbitragens, como no jogo entre Fluminense e Botafogo, na semana passada...
Pelé - Há muito tempo venho lutando para ajudar a moralizar o futebol do Rio. O futebol carioca vem definhando, morrendo, e ninguém estava vendo. Há muito venho falando que é preciso fazer uma reformulação no futebol do Rio e, por consequência, na CBF, que era tocada pelo Caixa DÁgua (Eduardo Viana, presidente da Federação Carioca) e pelo Ricardo Teixeira (presidente da CBF).
AE - Então já está na hora de mudar?
Pelé - A presidência da CBF não foi mudada na última eleição porque houve alteração no estatuto. O Caixa DÁgua ajudou e o presidente continuou.
AE - E o que é preciso fazer para moralizar a CBF?
Pelé - Isso eu já cansei de falar. É preciso ter clareza nas negociações dos produtos do futebol, nos calendários, e tem de modernizar a arbitragem. Os campeonatos regionais têm de ser mais curtos, e os nacionais mais organizados. Agora, tem a outra parte, que é a modernização do futebol. Os clubes têm de ser administrados como empresas. Até pouco tempo a CBF amedrontava os clubes e até mudou os estatutos.


