Brasília, 30 (AE) - O ex-ministro extraordinário dos Esportes Édson Arantes do Nascimento, o Pelé, criticou hoje a medida provisória (MP) que proíbe a participação de empresas na administração de mais de um clube de futebol. "Não se pode impedir que uma empresa administre ou ajude mais de uma equipe"
afirmou Pelé, após encontro com o advogado-geral da União, Gilmar Mendes. A MP foi reeditada nesta quarta-feira.
Pelé culpou o ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, pela redação "confusa" da MP. Segundo ele, a idéia original era impedir uma mesma empresa de ser "dona" de mais de um clube, mas não impor restrições à participação na administração das equipes, fosse cuidando do marketing ou da marca, por exemplo. "Infelizmente, quando nós saímos do Ministério, a nossa redação da MP era essa, mas aí o ministro Greca mudou e deu essa confusão toda", afirmou Pelé. Em defesa da MP, Greca diz que o objetivo é evitar fraude no resultado dos jogos, diante do temor que interesses econômicos pudessem decidir o placar.
Pelé citou o caso do grupo suíço ISL, ligado ao Flamengo. Segundo ele, o grupo está impedido, pela atual MP, de fazer investimentos até mesmo em outros esportes nos demais clubes de futebol do País. "Se o ISL quiser investir na natação do Botafogo-RJ ou do Atlético-MG, não pode", lamentou. Para Pelé, a MP é responsável pela suspensão da assinatura de contratos entre clubes e empresas, que aguardam a transformação da medida provisória em lei no Congresso. "Há equipes que já estavam com patrocínio quase fechado e estão esperando", afirmou.
Dirigentes de clubes criticam a MP por restringir o acesso de um número maior de times a grupos empresariais de grande porte, uma vez que essas empresas não podem investir em mais de uma equipe.
Com a reedição da MP, a autorização para a criação de bingos e a fiscalização desse tipo de jogo deixaram de ser incumbências do Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto (Indesp) - órgão ligado ao Ministério do Esporte e Turismo e acusado de corrupção - para a Caixa Econômica Federal (CEF). Pelé defendeu a participação da CEF e lamentou que isso só tenha ocorrido agora. "É lamentável que o ministro que me substituiu tenha entrado nessa confusão", disse Pelé.
Antes do encontro com Mendes, Pelé teve audiência com o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga. O atleta do século participará de campanha antidrogas que será veiculada a partir de junho.

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