Pelé: 'comigo, futebol já teria ganho ouro'
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domingo, 13 de junho de 2004
Agência Estado 
Rio - Antes de iniciar a corrida de revezamento da Tocha Olímpica, Pelé não escondeu sua emoção, que ao longo do percurso se transformou em lágrimas. Apesar do clima pacífico do evento, o ''atleta do século'' não desperdiçou a oportunidade para criticar a falta de condições brasileiras para ser a sede de uma Olimpíada e ainda argumentou que se tivesse participado dos Jogos o Brasil já teria uma medalha de ouro no futebol.
''Para o Brasil fazer uma Olimpíada seria preciso termos condições e hoje não estamos preparados'', disse Pelé. ''Por exemplo, sempre defendi a Copa do Mundo no Brasil, mas sem a utilização do dinheiro do País, do povo.'' De acordo com Pelé, a passagem da chama olímpica pelo Rio servirá para amenizar a imagem negativa e preconceituosa do País no cenário internacional. Destacou que para o ''mundo'' o Brasil hoje é violento e inseguro. Mas, argumentou que a falta de segurança é um problema mundial.
As crianças, a quem Pelé dedicou seu milésimo gol, não foram esquecidas. Lembrou que o fato de ter passado a chama para o estudante Márcio Santos, de 14 anos, simbolizou os ideais que sempre defendeu em sua vida.
''A emoção de hoje é um pouco diferente do milésimo gol, mas para o mundo é uma coisa mais ou menos igual'', afirmou Pelé. ''Passar a tocha para um garoto vem de encontro a tudo o que fiz na minha vida, dando esperança para os jovens.'' A ausência da conquista de uma medalha de ouro olímpica no futebol foi um assunto abordado por Pelé. Sem modéstia frisou que, se tivesse participado de uma edição dos Jogos, teria obtido o feito.
''Fiz um contrato profissional com o Santos aos 16 anos. Naquela época os atletas profissionalizados não participavam'', contou Pelé. ''E não estar lá foi uma frustração minha, porque com toda a confiança que entrava em campo, com certeza, o futebol já teria uma medalha de ouro.''
Ao terminar o primeiro trecho de aproximadamente 400 metros, dos 49 quilômetros da corrida de revezamento, Pelé estava aos prantos e precisou da ajuda do corredor de apoio para terminá-lo. A presença do jogador na saída do Maracanã provocou uma aglomeração de populares, que somente foram contidos pelos policiais, com o uso da força. No meio da confusão, várias crianças foram espremidas entre a multidão, o que causou um princípio de tumulto.


