Pelé 70 retrata vida do maior de todos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Robson Morelli<br> Agência Estado 
São Paulo - Sentado no sofá de sua casa, em Santos, Pelé pôs no colo as dez fotos que ilustram a capa de seu mais novo livro, ''Pelé 70'', e foi contando a história de cada uma delas, como se o lance registrado com exclusividade pela rolleiflex de fotógrafos famosos da época (como Domício Pinheiro), ao longo de sua carreira, tivesse acabado de acontecer.
Nas lembranças deste senhor na iminência de completar 70 anos (ele é de 23 de novembro de 1940), tudo ainda parece fresquinho, um drible com ginga, um passeio na praia de guarda-chuva, o soco no ar, o trabalho pouco coordenado no nó da gravata.
''Pelé nunca morrerá'', disse certa vez de si mesmo, numa das previsões na mosca de todas as suas tentativas - houve um tempo em que ele ganhou fama de pé frio por tentar adivinhar resultados de jogos importantes e sempre errar. Sobre si mesmo, as palavras foram proféticas.
''Pelé 70'' é um trabalho conjunto das editoras Realejo e Brasileira, de 160 páginas, coordenado pelos editores José Luiz Tahan e Pedro Fernandes Saad, que chega hoje às livrarias do País ao preço sugerido de R$ 149,90. ''Passamos por várias etapas antes de nos encontrarmos com Pelé. Mas quando nos reunimos com ele, já tínhamos um boneco do livro com as 84 fotos que ilustram a obra'', explica José Luiz.
A publicação nasce bilíngue (português e inglês), mas já há o interesse de editoras de sete países, entre eles França e Itália, para uma edição local. É uma obra de arte da carreira do maior jogador de todos os tempos. Não espere no livro histórias e revelações sobre sua vida. Há sete textos ilustrativos, quase poéticos, de jornalistas, amigos e ex-companheiros.
Um deles é do ex-ponta Pepe, então com 21 anos quando o menino franzino, negro e sorridente chegou à Vila Belmiro trazido pelas mãos de Waldemar de Brito, ex-jogador da seleção.
''Estava na barbearia do Espanhol (hoje do Didi), cortando a minha vasta cabeleira quando ele chegou. Ele trajava um terno azul-marinho. Senti firmeza no aperto de mão do garoto e no seu olhar. Não era, em absoluto, um olhar de timidez. E deu no que deu'', escreve o amigo e um dos maiores atacante do Santos.
''Pelé 70'' inova ao ser publicado com dez capas diferentes, todas expondo o Rei em momentos memoráveis. Algumas fotos são pouca conhecidas, a maioria guardadas no arquivo fotográfico do jornal O Estado de S. Paulo, fonte de pesquisa dos editores. Nelas se vê um Pelé exibindo elegantemente gestos imortalizados em sua biografia, como o soco no ar a cada gol na Copa do Mundo do México em 1970 ou ainda as passadas largas com a bola nos pés em busca do gol.
Há apenas uma foto colorida na publicação. Ela mostra Pelé com a camisa da seleção de 1958 (primeiro título brasileiro na Suécia). Foi capa da revista Gazeta Ilustrada. A Coca-Cola patrocinou a primeira edição, de 13 mil exemplares e, segundo seus idealizadores, há empresas do mesmo porte dispostas a colaborar de alguma forma com novas edições. ''Mas este é um assunto ainda a ser estudado'', diz José Luiz.
Ao ver as fotos e rever sua trajetória nelas, Pelé nem parecia estar à beira dos 70. Voltou a ser moleque. ''Esta aqui é a do gol 1000 (em 1969). Reparem que estou sozinho na área, o time todo do Santos foi para o meio de campo. E se dá rebote? Não havia ninguém nosso por lá. Os caras me deixaram sozinhos. Vai confiar assim lá longe'', brincou. ''E esta aqui que estou de bigode? Estava filmando Pedro Mico...''


