Peladas são cada vez mais raras
Garrincha aprendeu a driblar nos campinhos de Pau Grande; Ronaldo a marcar gols nos aterros de São Cristóvão; Robinho a dar pedaladas nas praias de Santos. A ''pelada'' sempre foi o melhor professor de um craque. Quem não se lembra dos grandes ''rachas'' em campos de grama ou terra? Só que a brincadeira é coisa rara de se ver hoje em dia. Com a popularização das escolinhas, e até mesmo o aumento da violência urbana, as peladas de rua estão acabando.
Ticão lamenta a nova tendência, sobretudo em Londrina, seu principal manancial de obra-prima. ''Os grandes jogadores que surgem, inclusive aqui no PSTC, são jogadores vindos de cidades pequenas, garotos que tinham um campinho para brincar. Mas aqui em Londrina a coisa está difícil, difícil mesmo. A gente não vê mais campos.''
O supervisor do PSTC responsabiliza o Município, que segundo ele, poderia dar mais atenção ao esporte na periferia da cidade. ''Infelizmente, o Poder Público não tem colaborado. Acho que os campos teriam de fazer parte de loteamentos, já que o futebol é o esporte número um do Brasil. Hoje ando muito, percorro os Cinco Conjuntos e outros lugares, e vejo os campos como local de consumo de drogas. Se têm garotos limpos, eles (os viciados) expulsam os meninos e mandam embora pra casa. Então o campinho acabou, em Londrina não tem mais''.
Quando um garoto matricula-se em uma escola de futebol, um ou dois meses depois começa a ser cobrado sobre coisas que, naquele momento, não interessam: esquemas táticos, noção de marcação ou cobertura. E muita responsabilidade pode interferir na formação do garoto. Escolinhas chegam a intimidar a criatividade? Ticão acredita que em alguns casos sim, mas orienta professores a trabalhar como prioridade os fundamentos do futebol.
''O jogador consegue desenvolver o dom dele sozinho. A gente pode orientar e não corrigir aquilo que ele faz. Muitas vezes, o garoto não pode chutar uma bola pro gol, que se for fora o treinador xinga, se for gol ele pula de alegria... não pode tentar um dible, que se ele perde a bola, o treinador xinga, se consegue driblar, faz um lance de efeito, ele aplaude o menino. O garoto fica inseguro, e não consegue mostrar o dom que está dentro dele. Deveriam trabalhar muito mais os fundamentos sem sem tirar a liberdade de criação deles'', avalia. (G.G.)





