Pelada do Abelardo comemora 40 anos
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quinta-feira, 22 de junho de 2006
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
Jogo de futebol ligeiro, sem importância, geralmente disputado entre meninos, e que se realiza em campo improvisado. Esse é o significado de pelada, segundo o dicionário. Por essa definição seria difícil acreditar que uma pelada pode durar 40 anos. Mas pode acreditar. Em Arapongas, a ''Pelada do Abelardo'' acaba de completar quatro décadas de existência. Mais de 100 pessoas já tiveram a oportunidade de fazer parte do seleto grupo que se reúne todos os sábados à tarde faça chuva ou faça sol para desfrutar de um jogo de futebol, seguido de churrasco e muito bate-papo.
Como não poderia deixar de ser, o nome da pelada é uma homenagem a seu criador. O médico Abelardo Araújo Moreira, 75 anos, é o grande responsável pela existência do grupo.
Há exatos 40 anos, ele adquiriu uma propriedade na região central de Arapongas. Em uma parte do terreno construiu uma casa e em outra um campo para que ele e os amigos pudessem jogar futebol. ''Éramos seis amigos que jogavam futsal no Clube Campestre. Mas eu nunca gostei muito do futsal. Por isso, decidi fazer o campo aqui ao lado da minha casa para que pudéssemos jogar futebol'', conta.
Como não poderiam jogar apenas em seis pessoas, a solução foi convidar amigos e parentes para se somarem ao grupo. ''A seleção das pessoas sempre foi feita baseada no futebol, mas também no comportamento. É preciso uma certa identidade, caráter das pessoas, já que não existem regras específicas, nunca houve árbitro, nem haverá'', diz Moreira.
As regras são basicamente as mesmas nesses 40 anos. Para começar, não existe lateral, já que os lados do campo têm muros. Falta pede quem sofre e bola na mão tem que ser acusada, independente da intenção. As dimensões do campo permitem, no máximo, seis jogadores em cada time cinco na linha e um goleiro.
Comportamento Por causa da identidade entre os membros da pelada foram poucos os incidentes negativos registrados ao longo dos anos. Moreira lembra de um episódio em que foi votado por todos a exclusão de um dos jogadores. ''Já aconteceram casos de comportamento agressivo, mas conseguimos resolver através da conversa. Quando foi necessário fiz uso de minha autoridade'', garante. ''A pelada e o grupo estão acima de qualquer coisa.''
Nesses 40 anos, o médico diz que nunca houve um período em que a pelada deixou de ser disputada. ''Em alguns períodos, os jogos foram realizados em outros campos por causa da recuperação do gramado. Mas nunca tive medo da pelada acabar'', afirma. ''A chuva nunca foi desculpa para não jogarmos. Foram poucos sábados em que não houve jogos.''
Sobre o futuro da pelada, o médico diz que não é possível fazer uma previsão. ''Nosso objetivo é que a pelada não acabe nunca. Chegamos a pensar em comprar um campo em outro lugar, mas aí se tornaria um clube. Mesmo se parar de jogar, quero que a pelada continue aqui. Sou o grande beneficiário de tudo isso'', disse, emocionado, o criador da pelada.


